Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

MP critica inquérito sobre menino morto pela polícia na zona sul de SP

Garoto de 10 anos foi morto em junho do ano passado após suposto tiroteio com policiais militares na Vila Andrade

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

20 Março 2017 | 22h43

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) devolveu à Polícia Civil o inquérito que apurou a morte de um garoto de 10 anos, em junho do ano passado, após suposto tiroteio com policiais militares, na Vila Andrade, zona sul, e pediu 23 novas diligências. O menino, com um amigo de 11 anos, teria furtado um carro e sido perseguido por PMs. A promotoria alega que a investigação “tem falhas e não chega a nenhuma conclusão”.

O MPE diz que recebeu o inquérito policial na sexta-feira, dia 17. O promotor Fernando Bolque, do 1.º Tribunal do Júri, que acompanha o caso, afirmou que os policiais militares cometeram diversos erros de procedimentos e isso não foi explicado no inquérito policial. “Além disso, há uma série de laudos pedidos que não foram anexados nos autos, porque não ficaram prontos, depoimentos contraditórios, entre outros itens. Mesmo assim, a investigação foi encerrada”, afirma.

Segundo ele, foi solicitado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) que inclua nos autos a cópia da gravação em áudio da conversa entre os policiais durante a ocorrência, a conclusão dos exames de urina, sangue e toxicológico do menino, novos depoimentos dos policiais militares para esclarecimentos de depoimentos contraditórios, entre outros pedidos.

Para o promotor, há três questionamentos fundamentais que ainda estão sem resposta. “Por que os PMs tiraram a arma que estaria com o menino do local do crime? Por que o garoto sobrevivente ficou rodando com os policiais até chegar à casa dele em vez de ser levado diretamente à delegacia? E por que os PMs envolvidos no disparo mudaram seus depoimentos?”

Segundo o MPE, os policiais, por duas ocasiões, disseram que atiraram no menor após serem recebidos a tiros. O laudo pericial, porém, não encontrou vestígios de pólvora no carro. “No último depoimento, os policiais disseram apenas terem um visto um clarão”, diz o promotor Bolque.

Ao todo, seis policiais militares são investigados pela morte do menino e cumprem funções administrativas. 

Estado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o DHPP ainda não recebeu o inquérito de volta, mas cumprirá os pedidos do Ministério Público. A pasta informa que o inquérito foi relatado à Justiça em fevereiro, sem indiciar ninguém, porque as provas e depoimentos colhidos confirmam a versão dos PMs. O inquérito militar foi encerrado. 

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