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Movimento social adere a 'rolezinhos' e shoppings já bloqueiam página na web

Artur Rodrigues e Laura de Castro Maia - O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2014 | 02h 02

Ativistas admitem que, em ano de eleições e Copa, o movimento espontâneo dos jovens fãs do funk ostentação pode virar tática de protesto. Para tentar evitar encontros, centros de compras vão monitorar eventos pelas redes sociais e até tirá-los do ar

Grandes encontros realizados por adolescentes da periferia de São Paulo em shopping centers, os "rolezinhos" viraram tática de protesto e ganharam a adesão dos movimentos sociais, em ano de eleições e Copa. Ativistas negros, sem-teto e até black blocs politizam o evento e anunciam uma série de manifestações em centros de compras por todo o País. Em reação à mobilização, shoppings prometem monitorar os eventos e até já bloquearam páginas das redes sociais.

"O 'rolezinho' virou um meio de protesto com bandeiras maiores do que quando começou", diz Natalia Szermeta, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A partir das 17 horas de hoje, o grupo que reivindica moradia deve promover um "rolezão popular" nos Shoppings Jardim Sul e Campo Limpo, ambos na zona sul da capital. Participarão também do ato o Movimento Periferia Ativa e a Resistência Urbana.

Natalia afirma que o evento será um desagravo à conduta dos shoppings de barrar a entrada de jovens nos estabelecimentos - no fim de semana passado, a Justiça concedeu liminares para seis centros de compras para impedir o "rolezinho". "Também será para mostrar que o problema da inclusão de trabalhadores não se dá só em relação a ter moradia, mas também para ter condições de consumo e de circular onde quiser."

A União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro) marcou para o meio-dia deste sábado um ato na frente do Shopping JK Iguatemi, no Itaim-Bibi, zona sul. O historiador Douglas Belchior, um dos organizadores, afirma que a ideia é protestar contra o racismo. "No nosso entendimento o controle dos 'rolês' no shopping é mais uma das faces do racismo estrutural, mais uma vez mascarado no discurso da segurança e da proteção", diz.

Os black blocs também prometem dar um "rolezinho". Será neste fim de semana, no Rio. "Acabaram as férias, 'cambada'. Tirem o pretinho básico do armário e voltem às ruas. 2014 começou e temos muito trabalho. Depois do 'Rolezin no Shopping', um 'rolezinho' na orla pra ver o pôr do sol!" Com essa convocação feita pelo Facebook, o evento "Rolezin Black Bloc na Zona Sul" está marcado para este domingo na Avenida Delfim Moreira, na orla do Leblon, zona sul da capital fluminense.

Nos comentários da web, há internautas que indicam que o grupo pode acabar dentro de algum shopping. O Black Bloc ficou conhecido pelas táticas violentas adotadas nas manifestações de junho do ano passado, quando o País foi às ruas pela redução da tarifa dos transportes coletivos.

Prevenção. Ontem, em São Paulo, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) se reuniu com representantes de 55 estabelecimentos da Grande São Paulo e da capital, com o intuito de dividir experiências sobre os "rolezinhos".

Segundo o presidente da entidade, Luiz Fernando Veiga, a principal atuação dos shoppings se dará antes da realização dos eventos. "A nossa ação total é na área de prevenção, para evitar que alguma coisa nos chamados 'rolezinhos' se transforme em algo mais sério, que prejudique os frequentadores."

Como exemplo, Veiga citou a iniciativa de shoppings que conseguiram a retirada de eventos no Facebook quando havia a incitação do uso de drogas e de atos de vandalismo.

Segundo a Assessoria de Imprensa do Facebook, apenas são excluídas páginas que ferem os termos e as políticas do site ou que ainda tenham uma decisão judicial favorável, que é analisada caso a caso.

Mauá Plaza Shopping, no dia 4. Hoje deve ocorrer um 'rolezão popular' nos Shoppings Jardim Sul e Campo Limpo

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