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Motoristas fecham mais da metade dos terminais e SP tem recorde de trânsito

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 20h 37

Grevistas fecharam 16 dos 28 terminais urbanos municipais da capital e ao menos 205 linhas foram afetadas pelo movimento

Atualizada às 21h56

SÃO PAULO - Sem avisar as autoridades e a população de São Paulo, motoristas e cobradores de ônibus estacionaram os veículos nas principais vias da cidade, mandaram os passageiros descer no meio do trajeto e deflagraram nesta terça-feira, 20, uma paralisação surpresa. Os grevistas fecharam 16 dos 28 terminais urbanos municipais da capital e ao menos 205 linhas foram afetadas pelo movimento.  O prefeito Fernando Haddad (PT) informou não saber a motivação do protesto e prometeu acionar a Polícia Federal para investigar a ação.

De acordo com a SPTrans, quatro terminais de ônibus foram liberados para operação na noite desta terça: o Terminal Varginha, Princesa Isabel, Vila Nova Cachoeirinha e Parque D. Pedro II. Até as 21h, permaneciam bloqueados por coletivos enfileirados os terminais Mercado, Bandeira, Pirituba, Lapa, Pinheiros, Butantã e Barra Funda. Ônibus foram recolhidos para as garagens nos terminais Santana, Casa Verde, Sacomã, Grajaú e Amaral Gurgel.

A paralisação atingiu linhas que operam em todas as regiões e cresceu ao longo do dia. À noite, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio e a lentidão chegou a 261 km de vias paradas, recorde do ano. Universidades cancelaram as aulas e órgãos públicos, como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público Estadual (MPE), liberaram os servidores mais cedo, às 17h.

O protesto começou por volta das 9h30, quando funcionários da empresa Santa Brígida furaram pneus de oito ônibus no Largo do Paiçandu, no centro. De acordo com motoristas e cobradores, a ação foi motivada pela insatisfação com o acordo de reajuste salarial, que foi aprovado, segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), na segunda. A entidade acusou 200 dissidentes de orquestrar a ação.

O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, pediu instauração de inquérito no MPE e na Polícia Civil e acusou a Polícia Militar de "passividade" diante dos ônibus abandonados. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) publicou nota na qual classificou a declaração de "escárnio".

Às 9h50, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), os primeiros terminais foram fechados: Pirituba, na zona norte, Princesa Isabel, no centro, e Pinheiros, na zona oeste. A partir das 11 horas, a manifestação se espalhou.

Na Avenida Pacaembu, na zona oeste, às 13h, veículos foram estacionados, e os passageiros obrigados a seguir viagem a pé. Na Avenida Eusébio Matoso, também na zona oeste, dezenas de coletivos pararam às 13h30 no corredor. "De repente, chegou na Ponte Eusébio Matoso e eles pediram para todo mundo descer", contou a universitária Gisele Freitas, de 20 anos. "Estudo no Mackenzie, no centro, e estou atrasada."

A paralisação afetou até mesmo quem pretendia protestar. A servidora aposentada Maria da Graça Xavier, de 70 anos, moradora do Campo Limpo, na zona sul, participaria da manifestação dos professores na Avenida Paulista. Por volta das 14h, teve de descer do ônibus na Eusébio Matoso. "Achei absurdo, porque pararam o ônibus e pediram para todos saírem, mas tinha passageiro deficiente."

Bloqueado. O gari Guilherme de Oliveira Ferreira, de 52 anos, ficou preso no Terminal Sacomã, por volta das 14h. "Está tudo bloqueado. Vou chegar em São Mateus só à noite." Ele havia trabalhado das 4h às 12h. "As pessoas fazem o que querem na cidade. Como está tudo sempre uma bagunça, todo mundo para a rua quando quer."

No fim da tarde, o segurança Rodolfo Costa, de 25 anos, ainda aguardava no Largo do Paiçandu, onde estava desde as 10h, quando começou o protesto. "Moro depois da Vila Nova Cachoeirinha e não tenho dinheiro para pegar mais do que um ônibus", afirmou ele, que reclamava de fome.

À tarde, ônibus foram estacionados na frente da Prefeitura. Um grupo de 300 motoristas e cobradores pediam uma audiência com o prefeito, mas não foram atendidos. / BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, DIEGO ZANCHETTA e RAFAEL ITALIANI

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