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Motoristas fecham 14 terminais de ônibus em São Paulo

Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 10h 48

Rodízio municipal de veículos foi suspenso nesta terça-feira para automóveis e caminhões por causa da paralisação dos motoristas e cobradores

Atualizado às 19h24

SÃO PAULO - Mais doze terminais de ônibus da capital paulista foram fechados nesta terça-feira, 20. Trata-se das paradas Sacomã e Varginha, na zona sul, Amaral Gurgel e Mercado no centro; Lapa, Barra Funda, Bandeira, Butantã, na zona oeste; e Cachoeirinha, Santana e Casa Verde, na zona norte Mais cedo, outros três terminais de ônibus da capital paulista foram fechados por trabalhadores da categoria. Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), os Terminais Pirituba, na zona norte, Princesa Isabel, no centro, e Pinheiros, na zona oeste, estão bloqueados desde as 9h50. Os demais fecharam as portas por volta das 11h15.   Por causa da paralisação dos ônibus, o rodízio municipal de veículos foi suspenso nesta terça-feira, 20, para automóveis e caminhões no horário das 17h às 20h. A paralisação afetou ao menos 205 linhas de ônibus na capital paulista nesta terça-feira.

Em protesto, os motoristas e cobradores chegaram por volta das 15 horas à calçada diante da sede da Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, no centro. Os trabalhadores reivindicam uma audiência com o prefeito Fernando Haddad (PT) ou com o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, que teria ofendido a categoria em uma entrevista a uma rádio. Os manifestantes calculam que 300 pessoas participam do protesto. E o número deve crescer já que outros manifestantes devem chegar.

A empresa controlada pela Prefeitura não soube informar o motivo exato da paralisação, mas, por meio de nota, disse repudiar "com veemência os fatos ocorridos, como a retirada de chaves dos coletivos, impedindo sua circulação", acrescentando que "considera os atos sabotagem ao sistema e irá agir com o rigor necessário à apuração e punição dos envolvidos e responsáveis". A SPTrans divulgou ainda que acionou a Polícia Militar "e solicitará ao Ministério Público a apuração das responsabilidades sobre as paralisações registradas" nesta manhã.

Por volta das 13h, manifestantes que participavam do ato paravam coletivos na Avenida Pacaembu e obrigavam os passageiros a descerem dos ônibus. Na Avenida Eusébio Matoso, na zona oeste, dezenas de coletivos pararam por volta das 13h30 no corredor exclusivo ao centro da via. Centenas de passageiros foram obrigados a descer no meio da rua.

"De repente, chegou na Ponte Eusébio Matoso e parou. Eles pediram para todo o mundo descer", disse a universitária Gisele Freitas, de 20 anos, que mora na região da Rodovia Raposo Tavares. "Estudo no Mackenzie, no centro, e estou atrasada. Vou ter que pegar o Metrô."

A reportagem do Estado viu diversos ônibus parados também nas Avenidas Faria Lima e Rebouças por volta das 14h.

Mais cedo, funcionários da empresa Santa Brígida furaram pneus de oito ônibus na região central de São Paulo, em um protesto perto do Largo do Paiçandu.

Motoristas das empresas Transppass e Gato Preto, que operam nas zonas oeste e sul, disseram à reportagem que estão insatisfeitos com a condução da campanha salarial pelo sindicato da categoria. Em uma assembleia realizada nesta segunda-feira, 19, a entidade votou que aceitava o reajuste de 10% oferecido pelos patrões.

"Mas não foi só isso que o atual presidente, Valdevan Noventa, nos prometeu. Estávamos esperando um reajuste maior", afirmou um condutor que não quis se identificar.

Um grupo de dezenas de motoristas e cobradores promete fechar o Terminal Bandeira, no centro. O grupo saiu do Largo do Paiçandu por volts das 14h20. No Viaduto do Chá e na Praça Ramos de Azevedo há vários ônibus parados.

Na segunda-feira, 19, membros do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindimotoristas) aprovaram em assembleia a proposta de reajuste salarial de 10% oferecida pelas empresas em que trabalham. A entidade, por meio de sua assessoria de imprensa, se disse "surpresa" com a manifestação.

"É uma paralisação que não é reconhecida pelo sindicato, de uma minoria, cerca de 200 pessoas, que não estão satisfeitas com os 10% conquistados na campanha salarial", afirma Romualdo Santos, assessor da presidência do sindicato. "É uma arruaça. Estamos tentando fazer uma assembleia com esse pessoal."

De acordo com ele, as paralisações nos três terminais e no Largo do Paiçandu foram coordenadas por trabalhadores das garagens da empresa Santa Brígida. Conforme os ônibus de outras empresas e consórcios vão chegando às paradas, eles vão sendo obrigados a não sair, disse Santos.

O prefeito Fernando Haddad (PT) ficou surpreso com os atos desta terça-feira. "Ontem, eu recebi uma comunicação do sindicato dos empresários dizendo que fecharam o acordo com a categoria. Para mim foi uma completa novidade uma dissidência desse sindicato que não aceita os termos do acordo. Pedi para o Jilmar [Tatto, secretário municipal de Transportes] avaliar o que está acontecendo para tomar as providências cabíveis. Eu entendo que, se há o acordo, ele tem que ser cumprido". /COLABORARAM BRUNO RIBEIRO E RAFAEL ITALIANI