Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo decidem não retomar greve

Funcionários que haviam paralisado o serviço esperam decisão final da Justiça sobre o movimento, algo que só deve ocorrer na semana que vem

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 19h08

SÃO PAULO - Os motoristas e cobradores de ônibus que haviam paralisado o serviço em São Paulo decidiram não retomar a greve até que a decisão final da Justiça sobre o movimento seja anunciada, algo que só deve ocorrer na semana que vem. Segundo Anderson Reis, que trabalha na empresa Santa Brígida e representa parte dos dissidentes, por enquanto não há paralisação programada.

"Vamos aguardar para ver o que vai ser decidido. As paralisações não visam as empresas, fizemos uma paralisação porque não aceitamos o que foi imposto pelo sindicato", disse no fim da tarde desta quinta-feira, 22.

A declaração foi feita após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2.ª Região determinar, durante a tarde, que o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) tem 24 horas para se pronunciar a respeito da defesa do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), apresentada nesta quinta.

A desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, responsável pela decisão, informou que o movimento grevista não cumpriu determinadas formalidades legais, como o aviso das empresas com uma antecedência mínima. Além disso, não houve assembleia formal para decretar o estado de greve, que antecede a paralisação em si, nem da própria paralisação.

De acordo com ela, a paralisação desta semana constituiu em um "mal irreparável" que afetou "toda uma coletividade". Em sua avaliação, tanto os trabalhadores quanto as empresas de ônibus falharam em não encontrar soluções para conter os danos do movimento e os prejuízos à população, que ficou sem boa parte do sistema de transportes sobre pneus.

"Na realidade, o direito de greve é uma garantia constitucional, mas os trabalhadores têm que perceber que o direito deles também esbarra no direito de muitas outras pessoas que também são garantias constitucionais", afirmou Rilma, que também é vice-presidente do TRT.

A decisão final sobre a legalidade da greve no tribunal será tomada por um grupo de dez desembargadores.

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