Mortes no fórum: detector foi desligado por falta de operador

Juiz diretor diz que pede mais segurança há 4 anos; anteontem, homem matou advogado, feriu ex e foi morto em São José

GERSON MONTEIRO , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2012 | 03h04

A direção do Fórum de São José dos Campos - onde duas pessoas foram mortas anteontem - diz que há quatro anos alerta o Tribunal de Justiça de São Paulo sobre a falta de segurança. Segundo o juiz diretor, José Loureiro Sobrinho, desde 2008 o TJ recebe seus pedidos para controle de acesso e vigilância, mas só agora foi autorizada a contratação de seguranças armados.

Segundo o juiz, o detector de metais está desligado desde sua instalação por não haver pessoal treinado para operá-lo. "Assim que instalamos, toda pessoa com anel, brinco ou qualquer outro metal era parada e isso atrapalhou bastante o fluxo de entrada, pois não tínhamos pessoal que soubesse mexer e fazer as revistas. Com o reforço policial, o diretor prometeu reativar o sistema de segurança."

Na quarta, o montador Sérgio Marcondes dos Santos, de 50 anos, invadiu o local e atirou contra a ex-mulher e o advogado dela, que morreu. Na sequência, enfrentou a polícia e acabou morto. Segundo a polícia, Santos atingiu Maria Aparecida de Siqueira e José Aparecido Ferraz Barbosa quando os dois aguardavam no saguão.

Ontem, Loureiro criticou o descaso da Justiça com a segurança dos profissionais que trabalham no fórum e com quem participa diariamente de audiências. "Temos segurança precária", desabafou.

O atendimento no fórum foi suspenso até segunda-feira. Mesmo assim, funcionários se reuniram de manhã e fizeram uma oração. Atualmente, apenas dois PMs fazem a segurança do local durante o expediente. Na reabertura, haverá reforço provisório de dois policiais.

Procurado, o TJ-SP afirmou que só o diretor Loureiro Sobrinho comentaria o caso, mas afirmou que há detectores em "praticamente" todos os 44 fóruns distritais e 271 comarcas do interior, além dos 13 fóruns regionais da capital, "com exceção dos prédios novos ou alugados".

Loureiro destacou ainda a necessidade de se ter uma vara especial para tratar da Lei Maria da Penha na cidade. Caso a vara estivesse em funcionamento, a tragédia poderia ter sido evitada. A vara especial foi determinada pelo Conselho Nacional de Justiça.

Enterro. No enterro, familiares de Santos evitaram falar. Um parente do atirador disse que os familiares de Maria Aparecida já tentaram matá-lo.

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