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Morros da Grande SP acumulam vítimas

Francisco Morato tem oito mortos em bairros pobres e afastados

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Luiz Fernando Toledo e Vitor Tavares,
O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 23h01

Barrancos e terrenos inclinados, em bairros mais afastados e pobres, foram o cenário das mortes na cidade de Francisco Morato, na Grande São Paulo. A prefeitura confirmou oito mortes e havia pelo menos dois desaparecidos até as 19 horas desta sexta. Em Mairiporã, um deslizamento resultou em pelo menos outras quatro mortes.

De acordo com a gestão municipal de Francisco Morato, foram encontradas duas vítimas na Rua Raul Pompeia, uma criança na Rua Pedro de Toledo, três mortos na Rua Irã e duas vítimas na Estrada do Porrete. No Jardim Alegria, duas pessoas ficaram feridas, conforme o boletim da Defesa Civil Municipal fechado às 19 horas desta sexta.

O Estado visitou os locais e constatou casas em barrancos ou em terrenos muito inclinados. Equipes do Corpo de Bombeiros eram vistas vistoriando áreas precárias. A prefeitura determinou que todas as escolas municipais suspendessem as aulas, de forma a liberar os prédios para eventuais atendimentos a vítimas.

Já nos bairros do Parque Náutico e Jardim Neri, em Mairiporã, as pessoas passaram toda a sexta-feira mais nas ruas do que em suas casas. Depois do deslizamento da barreira na Rua da Primavera, que deixou nove soterrados, o estado era de alerta. Até por volta das 19 horas, a Defesa Civil havia informado que 39 imóveis estavam interditados e 38 pessoas que não conseguiram alojar-se em casas de parentes estavam desabrigadas e provisoriamente instaladas no ginásio da cidade.

As mortes aconteceram por volta das 21 horas desta quinta-feira. O imóvel atingido tinha três andares, que eram separados em quatro casas. No andar superior, uma menina de 4 anos morreu soterrada. Outras seis pessoas que moravam ali ficaram soterradas, incluindo uma criança de 1 ano. Até as 19 horas, mais dois corpos haviam sido retirados dos destroços, um homem e uma mulher. Outro corpo, de criança, havia sido localizado.

Rodrigo Carvalho, que morava sozinho em uma casa no térreo, relatou que não estava no local na hora do deslizamento. O carro quebrou, por causa das chuvas, e ele só chegou depois da tragédia. “Perdi tudo, só consegui recuperar meus documentos. Mas foi muita sorte.”

Represa. Quatro dias após decretar o fim da crise hídrica, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) teve de abrir as comportas da Represa Paiva Castro, entre as cidades de Franco da Rocha e Mairiporã, para evitar o rompimento da barragem que integra o Sistema Cantareira. A abertura ocorreu às 6h30, quando o reservatório chegou a 99,4% da capacidade. Na quinta, o nível estava em 35%.

Desde as 2h30, a Sabesp já havia informado a Defesa Civil que o reservatório estava sendo operado no “modo de emergência”. Situação semelhante havia ocorrido pela última vez em janeiro de 2011. “Foi bom que tínhamos 65% do reservatório vazio. Isso significa que 5,5 bilhões de litros que estariam inundando as ruas de Franco da Rocha ficaram retidos no reservatório. Embora a tragédia seja grande, ela teria sido maior ainda se não existisse a Represa de Paiva Castro”, disse o presidente da Sabesp, Jerson Kelman. / COLABORARAM ADRIANA FERRAZ e FABIO LEITE

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