GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Moradores se unem por parque lúdico no Largo da Batata

Segundo Prefeitura Regional de Pinheiros, novo espaço deve ser inaugurado em até 3 semanas

Priscila Mengue, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2017 | 03h00

Instalado no Largo da Batata em dezembro de 2015, um parque infantil desenvolvido pelo estúdio Erê Lab teve três de seus cinco brinquedos retirados na última semana. Criticada por parte dos usuários da região, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, a ação deve dar origem a um espaço remodelado em até três semanas, de acordo com o prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias. 

Referência em “espaços lúdicos permanentes”, o projeto foi o primeiro do Erê Lab, que depois criou outro no Largo do Paiçandu, no centro, e quatro no Rio, pelos quais recebeu, em 2016, o prêmio Mais Movimento! do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) da Organização das Nações Unidas (ONU). Em parte financiado por edital do Instituto A Cidade Precisa de Você, ele reunia brinquedos de madeira que foram doados à Prefeitura. 

Segundo Mathias, a retirada dos equipamentos aconteceu por falta de manutenção. “Estavam completamente deteriorados, abandonados”, declarou. Como reação, moradores criaram uma página no Facebook. Os organizadores defendem que o parque infantil necessitava apenas de reparos e limpeza. “Uma zeladoria básica poderia dar conta disso”, declararam eles, que também criticam a retirada de um canteiro no local.

Frequentadores. A retirada do parquinho é criticada por coletivos e por frequentadores, como o economista José Ricardo Manéo, de 41 anos, e a pesquisadora Fernanda Peixoto Manéo, de 40, pais de Gabriela, de 3. “Tinha uma coisa diferente dos outros parques – as crianças brincam sozinhas lado a lado, uma ajudava a outra”, diz o economista.

“Era diferente de tudo o que a gente tem pela cidade”, concorda a psicóloga Maria Cristina Brum Duarte, de 55 anos. Para ela, uma das principais qualidades do espaço era reunir frequentadores de diversas classes sociais por estar um local de grande circulação. “Era um paraíso no Largo da Batata.”

Por outro lado, a advogada Flavia Celestino, de 42 anos, parou de frequentar o espaço com o filho Nicholas, de 2 anos, no fim do ano passado. “Começou a aparecer muita garrafa quebrada, bituca de cigarro, camisinha, fezes e muita urina”, lamenta. “Não é saudável brincar ali. Uma pena, porque era um dos parquinhos mais legais.” Já a secretária Dani Suzin, de 33 anos, acha que a localização do espaço não era ideal. “Teria de ser uma área mais arborizada.”

Diretor criativo da Erê Lab, Roni Hirsch negocia com a Regional a instalação de aparelhos em outra praça, ainda indefinida. “Colocar a bandeira da criança na cidade em um território de disputa, como é o Largo da Batata, foi muito simbólico. Acho que ele cumpriu o seu papel, mas poderia cumprir por muito mais anos.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.