Moradores pedem fim de 'helicópteros sem lei' no Rio

Movimento faz hoje ato contra ampliação de heliponto do governo na zona sul

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2012 | 03h03

Enquanto moradores da zona sul do Rio se unem para cobrar a redução da circulação de helicópteros naquela região, o governo do Estado anuncia que parte de um terreno que seria a sede de um parque será usada para a ampliação de um heliponto na Lagoa Rodrigo de Freitas.

O espaço será reservado para quatro aeronaves da Polícia Civil, mas moradores da vizinhança afirmam que o principal beneficiário será o governador Sérgio Cabral (PMDB), que usa helicóptero para cumprir sua agenda diária. Hoje, 300 integrantes do Movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei farão um protesto no terreno a ser ocupado pelo novo hangar.

"Parece que tenho uma avenida em cima da minha cabeça", diz a professora de ioga Débora Weinberg, de 45 anos, coordenadora do movimento. "Os helicópteros são cada vez mais procurados por turistas e empresários, e por isso o número de voos aumentou muito nos últimos meses. São mais de 200 voos por dia na zona sul."

"Não somos contra helicópteros para emergências médicas ou serviço dos bombeiros ou da polícia. Mas a maioria desses aparelhos serve o governador ou grupos de quatro turistas, e para isso acaba com o sossego de milhares de moradores, porque sobrevoam muitos prédios", diz.

No Rio existem 386 helicópteros - é a segunda maior frota do País, perdendo apenas para São Paulo, que tem mais de 650. Segundo Débora, o movimento conseguiu que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) proibisse o uso de uma rota em fevereiro, e isso reduziu o movimento de helicópteros. "Mas o governador continua usando", reclama Débora. Em nota, o governo do Estado afirmou que "atende a todas as recomendações feitas pelo Decea".

Helipontos. Nesta semana, a Secretaria da Casa Civil anunciou a ampliação de um heliponto do governo do Estado na Lagoa. Ainda não há data para execução nem custo estimado. Segundo o governo, a obra não vai ampliar o número de voos porque o local será só uma garagem. Na área restante será feito um parque.

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