Moradores ficam entre expectativa e desconfiança

Para quem mora nas regiões que receberão obras, a execução do plano antienchente é aguardada com expectativa - e desconfiança. "Não importa se a obra ficará pronta só para as chuvas de 2013. Se fizerem, já está bom. Mas só acredito depois de pronta", diz o representante comercial Marcos Moretti, de 52 anos, que há 12 convive com alagamentos na Rua Orville Derby, região da Mooca. Ali, segundo os vizinhos, a enxurrada leva até carros.

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2011 | 03h02

Cada comerciante se vira como pode. Ao lado, na Praça São Rafael, a base da banca de jornal de Thiago Almeida, de 29 anos, foi elevada a mais de meio metro do chão. A estratégia foi adotada para evitar a perda de mercadorias durante alagamentos. Os clientes agora têm de subir três degraus para escolher jornais e revistas. A rua deve receber nova malha de canalização de água, com canais de concreto, poços de visita e bocas de lobo.

O drama se repete na Rua Paúva, na Vila Jaguara, zona oeste. Sob a Rodovia Anhanguera, há uma passagem subterrânea para carros e pedestres que vira piscina. O trânsito para. Ninguém consegue atravessar. E comerciantes tentam, em vão, barrar a entrada da água com placas de ferro de um metro de altura. "No mês passado subi em cima do fogão, porque a água veio na altura do umbigo. Levou sacos de feijão, arroz, verduras", conta a cozinheira Maria de Fátima, de 51 anos. "Aqui alaga feio no mínimo duas vezes por ano."

Enquanto aguardam a conclusão das obras, os moradores dizem que vão "rezando e pedindo a Deus e a São Pedro". "O que mais a gente pode fazer?", questiona Maria. / A.F. e F.F.

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