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ALEX SILVA/ESTADÃO

Moradores da Vila Madalena reclamam de blocos não oficiais

Grupos pré-carnavalescos atrapalharam pedestres e motoristas; Prefeitura afirma que desfile precisa de licença especial

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Paula Felix,
O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A temporada oficial do carnaval de rua de São Paulo só vai começar no dia 29, mas a passagem de blocos pela Vila Madalena, na zona oeste, já traz transtornos para os moradores. Eles reclamam que, no fim de semana passado, grupos atrapalharam a passagem de pedestres e motoristas. Além disso, relatam que uma loja foi depredada na madrugada de segunda-feira.

A festa tem causado polêmica no bairro por atrair grande número de foliões, algo que se intensificou após a Copa do Mundo, em 2014. No ano passado, até bombas de efeito moral foram usadas pela Polícia Militar durante a dispersão do público. 

Dona da loja Borogodó do Brechó, a empresária Erika Nigro, de 42 anos, afirma que ficou assustada ao se deparar com a porta do comércio totalmente destruída. “Acredito que jogaram uma pedra, que quebrou a porta de vidro. A loja estava toda aberta, mas ninguém chegou a entrar. O alarme não disparou. Vou ficar uns dez dias sem a porta original.” 

Erika ainda está fazendo orçamento para a compra de uma nova porta e não soube calcular o prejuízo. “É o meu primeiro ano na Vila (Madalena) e foi um susto tremendo. Isto é vandalismo. Qual é o prazer de destruir?”, indaga.

Para enfrentar o período, ela pretende investir em mudanças no local. “Como o carnaval está muito pesado, estou pensando em colocar um tapume de três metros na frente da loja. Ainda tenho de ver como funciona, mas até penso em colocar um banheiro químico e ter alguém para cuidar deles. Vai ser um prejuízo.”

Representante do grupo de moradores e comerciantes SOSsego Vila Madalena, Tom Green, de 50 anos, diz que faltou fiscalização de agentes da Prefeitura na região durante a passagem dos blocos. “São atividades não oficiais, que não foram autorizadas. Tivemos problema de fiscalização de ambulantes e havia muitos carros estacionados, que fecharam a Rua Fidalga no domingo à noite. O barulho foi até as 4 horas da madrugada. É uma situação difícil para nós”, ressalta.

Green diz que os moradores têm levado queixas para a Prefeitura e para o Ministério Público e espera que o carnaval seja mais tranquilo do que nas edições anteriores. “Ninguém está contra o carnaval, mas queríamos algo tradicional, por causa do impacto que estamos tendo todos os anos.”

Um dos blocos, chamado Pimentas do Reino, teria desfilado após participar de uma festa fechada realizada no sábado. Proprietária da casa Jongo Reverendo, Adriana Carvalhaes, de 45 anos, diz que os integrantes se apresentaram na casa. “Às 16 horas, eles saíram para a rua, por conta e risco deles. Não tenho autoridade para proibir.”

Após contato da reportagem, o bloco informou, por meio de uma rede social, que não desfilou. "Nosso bloco não saiu. Fizemos um breve ensaio caminhando um pequeno trecho pela calçada".

Temporário. Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura afirma que os desfiles fora de época não são irregulares, mas precisam de uma licença especial. “Os blocos que optarem por desfilar fora do período oficial não são proibidos de fazê-lo. Entretanto, serão licenciados como eventos temporários em logradouros públicos e deverão custear as taxas municipais correspondentes e tomar todas as devidas precauções.” 

Em dezembro do ano passado, a Prefeitura anunciou que grandes blocos não poderão desfilar na Avenida Sumaré e o número de desfiles na região será reduzido. Apresentações de maior porte, como as com uso de trio elétrico, serão realizadas no Parque do Ibirapuera, na zona sul da cidade. A temporada de carnaval de rua se encerra no dia 14 de fevereiro.

“A Prefeitura não é a promotora do carnaval de rua, mas organiza os serviços para tornar a experiência o mais confortável e organizada possível, tanto para foliões quanto para moradores”, afirma a pasta, que diz dialogar com moradores e comerciantes desde o ano passado.

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