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Moradores da Favela do Moinho fazem protesto

Diego Zanchetta e Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 19h 12

Duas faixas da Avenida Rio Branco foram interrompidas com barricada de fogo

Atualizada às 20h29

SÃO PAULO - Cerca de 400 moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, fizeram uma manifestação na noite desta terça-feira, 25, e fecharam o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, a partir das 19 horas. A via ficou bloqueada por cerca de 40 minutos. Para liberar o trânsito, a Polícia Militar foi acionada e liberou bombas de gás lacrimogêneo.

Os moradores iniciaram o protesto depois de confrontos com a Polícia Civil. Por volta das 18 horas, oito policiais civis entraram em dois carros - um cinza e outro preto - à paisana na favela para prender dois traficantes. Um deles, menor de 18 anos, acabou fugindo para dentro do local, e a Polícia entrou atrás dele. Na saída, com os jovens detidos, os moradores tentaram impedir a passagem do carro, atirando pedras.

Um pelotão da Polícia Civil chegou à favela e iniciou o confronto com os moradores. De acordo com representante da ONG Moinho Vivo, os policiais atiraram para cima.

A polícia teria revistado barracos, o que causou revolta na favela. Segundo Tatiane Cavalcante, de 28 anos, os policiais chegaram a abrir a sua casa, dizendo que ela colaborava com o tráfico e que voltariam de madrugada. "Foi uma humilhação. Já não chega tudo o que nós passamos aqui. Eles chegam chutando a porta, falando que a gente colabora com o tráfico", disse.

Houve tiroteio e tumulto, e os moradores ficaram assustados com a ação. A líder comunitária da favela, Alessandra Moga, mostrou cápsulas supostamente de revólveres que teriam sido deflagradas pelos policiais. "Eles saíram do carro à paisana, começaram a atirar e a revistar barracos. Chamaram as mulheres de vagabundas e os meninos de traficantes. Aqui tem gente trabalhadora, isso poderia ter acabado em desgraça", disse. Segundo ela, muitas crianças estavam nas ruas no momento do confronto porque as aulas na creche tinham acabado de terminar.

Alguns policiais militares que davam cobertura do lado de fora disseram ao Estado que quem atirou foram os traficantes. Segundo o pedreiro e morador da região, Walmir Araújo da Silva, 51 anos, porém, foram os policiais civis que entraram atirando. "Eles chegaram invadindo os barracos, dizendo que todos eram traficantes. Poderia ter morrido uma criança durante o tiroteio."

Outro lado. Em nota, a Polícia Civil de São Paulo esclareceu que "não houve utilização de balas de borracha nem foi verificado truculência por parte dos policiais.". Ainda de acordo com a nota, o Denarc (Departamento Estadual de Repressão e Prevenção ao Narcotráfico) compareceu ao local para investigar denúncia de que os traficantes haviam recebido carregamento de drogas para abastecer o Carnaval. Na operação foram apreendidos 250 porções de cocaína e 150 pedras de crack.

"Os policiais da 3ª Dise do Denarc, ao efetuar a prisão de um segurança dos traficantes, foram recebidos a tiros no local", diz a nota. "Com a prisão, os moradores reagiram e entraram em confronto com os policiais do Denarc, sendo necessário a solicitação de reforço policial, do Garra e do GOE, além do uso de helicóptero da Polícia Civil".