Morador mata motorista por manobrar caminhão

Caminhoneiro irritou segurança aposentado, que ainda feriu dois funcionários de transportadora; filha de vigilante alega que foi agredida

Bruno Lupion e Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2010 | 00h00

Uma manobra de caminhão realizada na frente de uma casa na Rua Euchário Rebouças de Carvalho, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, foi o motivo do assassinato de um homem na quinta-feira. Outros dois ficaram feridos.

Segundo a polícia, o caminhoneiro Pedro de Almeida, de 63 anos, irritou o segurança aposentado Ivanildo Alves de Lima, de 53, após dar marcha à ré na frente de seu imóvel. Os dois discutiram. Logo depois, Lima teria atirado contra Almeida e seus dois colegas de trabalho.

O segurança estava desaparecido até a noite de ontem. Os feridos foram atingidos de raspão e não correm risco de morte. Eles ficaram internados no Hospital do Mandaqui, também na zona norte da capital. Já Almeida foi ferido na cabeça e não resistiu. Ele era da cidade de Fernandópolis, no interior paulista, e estava no bairro pela terceira vez para transportar eletrodomésticos da capital para Mato Grosso.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que na rua onde o suspeito mora é proibida a passagem de caminhões. A filha dele, uma jovem de 22 anos, afirmou que o crime ocorreu já na esquina da Rua Nelson de Morais Lopes, endereço da transportadora Expresso Sul Mato-Grossense, onde a vítima trabalhava.

A jovem disse que o caminhoneiro fez a manobra e o pai dela chegou a reclamar da janela da casa. Depois, ele teria deixado o caminhão estacionado e foi tirar satisfações com a família, ao lado de mais três homens. Ela afirmou ainda que foi agredida pela vítima, assim como seu irmão de 14 anos. Isso teria levado o seu pai a sacar a arma. Pelo menos quatro tiros foram disparados.

Versões. A versão da filha do aposentado foi contestada pelo colega do caminhoneiro. "Eu estava lá e vi tudo. O dono da casa ficou bravo ao ver o caminhão dando ré e fez ofensas - como ele sempre faz aqui na rua. Depois desceu com os filhos e segurava uma pochete onde levava a arma. Ele já veio com intenção de matar", relata o homem, que não quis ser identificado.

Outro amigo da vítima, o também caminhoneiro Olavo Rodrigues, de 51 anos, disse que seu colega era animado e fazia piadas de brincadeira com todos os funcionários. "Ele não se estressava com nada", disse. " Essa pessoa tirou a vida de um coitado e inocente."

Uma moradora, que também não quis ser identificada, contou que os veículos de carga costumam usar a via residencial como área de manobra e estacionamento e as brigas são frequentes. "Já recorremos à polícia e à CET, mas não adianta, os caminhões continuam entrando na rua, arranhando os carros e destruindo as árvores", disse.

Uma vizinha do suspeito, Maria do Socorro Lima, de 42 anos, elogiou e defendeu Lima. "É um bom vizinho. Sempre me ajuda quando tem enchente a levantar os móveis." O caso foi registrado no 9.º DP (Carandiru).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.