Monitor estava sentado em balanço que matou menina em hotel, diz delegado

Viga superior onde ficam penduradas as cadeiras quebrou nas duas pontas e caiu sobre o peito de Inês Schaller, de quatro anos

Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2012 | 15h28

CAMPINAS - A Polícia Civil começou a ouvir nesta segunda-feira, 30, os depoimentos no inquérito que apura a morte da menina Inês Schaller, de quatro anos, atingida pela viga do balanço do playground do Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro, interior de SP, no último dia 23. O delegado Ricardo Fiore, que ouviu dois funcionários do hotel pela manhã, afirmou que a polícia descobriu hoje que, além da vítima, estavam sentados nas outras duas cadeiras do balanço o monitor Daniel Rodrigues Ruivo Fernandes, de 25 anos, e uma segunda criança.

A viga superior onde ficam penduradas as cadeiras quebrou nas duas pontas e caiu sobre o peito da vítima, que morreu no hospital. A polícia apura possível negligência na manutenção do brinquedo.

"Foi esclarecido que a menina Inês estava no balanço do meio e que nas cadeiras do seu lado estavam uma criança e o monitor. Ela estava balançando para trás, enquanto os outros dois estavam à frente", afirmou o delegado.

O monitor foi o segunda pessoa a ser ouvida na Delegacia de Águas de São Pedro. O primeiro depoimento foi do subgerente do hotel, Felipe Riena. Os dois saíram sem dar entrevistas.

Outros monitores do hotel e babás que estavam no local na hora da tragédia também serão chamadas para prestar depoimento, informou o delegado. Uma pessoa da família também vai ser ouvida no inquérito.

Tragédia. Inês estava no hotel com os pais e o avós e passava férias no Brasil. Os pais, a brasileira Maria Isabel Gomes Pereira e o francês Jean Jaques Schaller, moram na França, onde são professores universitários. A família visitava os avós maternos, que moram em São Paulo. Eles tinham entrado no hotel um dia antes para passar a semana.

Por volta das 12h, a criança brincava numa das três cadeiras do balanço, quando a viga superior quebrou dos dois lados e caiu sobre seu peito. O monitor e a outra criança, que estavam nas cadeiras dos lados, não se feriram. Inês chegou a ser socorrida no pronto-atendimento local, mas não resistiu e morreu por choque hemorrágico provocado por ferimento nos pulmões.

Perícia. O delegado afirmou que sem o laudo oficial do Instituto de Criminalística não é possível apontar responsáveis nem falar em negligência. Nos depoimentos, o advogado dos funcionários do hotel, Cid Vieira de Souza, entregou documentos para apontar que o hotel não é responsável pelo playground. "Uma empresa especializada terceirizada é responsável pela instalação e manutenção dos brinquedos."

Para a polícia, o subgerente do hotel informou ainda que, em março, foi feita uma vistoria nos brinquedos e nada foi verificado de irregularidades.

O perito que analisou o brinquedo e está fazendo o laudo do Instituto de Criminalística, Jefferson Willians de Gaspari, já declarou que "a viga estava comprometida por falta de manutenção". Segundo ele, apesar da boa aparência externa da madeira do balanço, por dentro, o material "apresentava sinais de ação do tempo".

O delegado informou que o fato de uma empresa terceirizada ser responsável pelo equipamento não retira uma eventual responsabilidade por parte do hotel, caso seja concluído que houve negligência. O inquérito apura homicídio culposo (sem intenção de matar).

O Grande Hotel São Pedro, em nota, alega que faz manutenção frequente nos brinquedos e que o playground permanecerá interditado enquanto não terminarem as investigações. O hotel informou ainda que, em 2011, o local passou por uma reforma completa.

Grande hotel. O Grande Hotel São Pedro, é um hotel de luxo no interior, com campo de golfe, quadras de tênis e um health club com águas medicinais e banhos sulfurosos. O hotel é internacionalmente conhecido por abrigar a Escola Hotel Senac, que forma chefs de cozinha.

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