Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Moema pode ir à Justiça contra bicicletas

Associação de moradores do bairro paulistano já estuda processar a Prefeitura

Felipe Tau, do Jornal da Tarde,

08 Novembro 2011 | 08h15

SÃO PAULO - Inaugurada no sábado, a primeira ciclofaixa permanente de São Paulo, em Moema, na zona sul, já pode ser alvo de ação judicial. A Associação de Amigos e Moradores de Moema (Amam) pode recorrer à Justiça para tirar a faixa.

A presidente da Amam, a psicóloga Rosângela Lurbe, argumenta que as faixas dificultam o estacionamento dos carros e são pouco utilizadas. "Não passa nem uma alma. No domingo, se circularam 12 bicicletas, foi muito", disse.

Rosângela afirmou ontem que tentará nova reunião com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no Ministério Público Estadual de São Paulo, mas diz que há "grandes chances de uma ação" caso a faixa não seja removida. Um abaixo-assinado está sendo feito desde domingo.

Nas três horas em que esteve no local ontem, entre 11h20 e 14h20, a reportagem contou seis ciclistas trafegando na faixa, que têm um metro de largura e 3,3 quilômetros de extensão. A confusão dos primeiros dias persistia e, no mesmo período, nove motoristas foram vistos pelo JT estacionando sobre a ciclofaixa - em vez de parar sobre a nova demarcação das vagas de Zona Azul. Elas ficam afastadas um metro da guia.

"A vaga é ali? Não vou parar no meio da rua", relutou o aposentado Spencer Chingotte, de 67 anos. Mesmo após ser informado sobre o local correto, ele preferiu manter seu carro sobre a faixa das bicicletas.

Para os cicloativistas, a circulação verificada pela reportagem não indica um fracasso do projeto, que ficará em fase de testes por15 dias. "O número em si não tem nenhum significado para mim. A estrutura vai atrair demanda conforme for bem-sucedida", acredita Thiago Benicchio, diretor da Ciclocidade. "É preciso esperar uns três meses para avaliar", diz Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego.

A CET informa em nota que está fazendo pesquisa com usuários e poderá fazer mudanças. Em relação aos pedidos da Amam, diz que realizou "várias" reuniões com a entidade antes de abrir a ciclofaixa e que novo encontro está marcado para o dia 28.

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