Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Mizael é condenado a 20 anos de prisão pela morte da ex-namorada Mércia

Único suspeito do crime, Mizael foi considerado culpado pelos jurados do conselho de sentença

De O Estado de S. Paulo - Texto atualizado às 18h40,

14 Março 2013 | 17h25

O advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, de 43 anos, foi condenado a 20 anos de prisão nesta quinta-feira, 14, pela morte da também advogada e sua ex-namorada Mércia Nakashima, assassinada em maio de 2010.

Único suspeito do crime, Mizael foi considerado culpado pelos jurados do conselho de sentença, após quatro dias de um julgamento repleto de discussões acaloradas entre acusação e defesa no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. O júri popular foi o primeiro a ser transmitido ao vivo via TV, rádio e internet no Brasil.

Assim que o juiz Leandro Bittencourt Cano leu a sentença, a irmã de Mércia, Claudia Nakashima, gritou “assassino” e “maldito” e foi contida pelos familiares. A prima da vítima, Solange Morais, caiu no choro do lado de fora da sala onde a sentença era lida.

Manifestantes ficam indignados ao saber da pena. Eles temem que Mizael fique pouco tempo preso. Adão Bispo de Souza, irmão de Mizael, deixou o fórum escoltado por policiais militares sem falar com a imprensa. A defesa já apelou da decisão.

ENTENDA

Mércia Nakashima e Mizael Bispo de Souza foram sócios em um escritório de advocacia e namoraram por quatro anos até setembro de 2009. A advogada foi vista pela última vez na tarde de 23 de maio de 2010 na casa da avó. Em 10 de junho, o carro dela foi achado na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. No dia seguinte, o corpo foi localizado por um pescador.

Apontado como cúmplice do crime, o vigia Evandro Bezerra da Silva foi preso no dia 9 de julho, em Canindé do São Francisco, Sergipe. Um dia depois, a Justiça decretou a prisão temporária de Mizael, mas a medida foi suspensa quatro dias depois.

Na reconstituição do crime, feita no dia 11 de agosto de 2010, peritos encontraram alga no sapato de Mizael que seria compatível com alga que existe na represa onde o corpo foi encontrado. Também encontraram uma porção de terra igual à existente na represa, além de fragmentos ósseos e uma substância que, segundo os exames periciais, poderia ser sangue.

Em dezembro do mesmo ano, juiz decretou a prisão preventiva de Mizael e Evandro e decide levar os dois acusados a júri. Após ficar foragido por mais de um ano, o ex-policial militar e advogado se entregou à Justiça no dia 24 de fevereiro de 2012. Já Evandro foi preso no povoado de Candú, em Alagoas, no dia 23 de junho.

Mizael foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e por ocultação de cadáver. Já Evandro vai responder por homicídio duplamente qualificado (com emprego de meio insidioso ou cruel e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.

Por decisão da Justiça, o processo foi desmembrado. O julgamento de Mizael começou no dia 11 de março de 2013. Já Evandro vai a júri em 29 de julho.

Notícias relacionadas
Mais conteúdo sobre:
Mizael Mércia condenação julgamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.