Miojos de grife conquistam cozinhas da Liberdade

De origem chinesa, lámen ganha versão sofisticada e público espera até uma [br]hora por macarrão feito em apenas três minutos

Aline Nunes, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2010 | 00h00

Nos supermercados, ele pode passar batido aos olhos dos fãs de massas bem encorpadas. Na contramão, é figura fácil no carrinho de compras daqueles que não têm tempo para cozinhar ou simplesmente gostam das invenções da culinária chinesa. Popularmente conhecido como miojo, preparado em três minutos, o lámen completou 50 anos em 2008, mas só agora ganhou força nos restaurantes da Liberdade, em São Paulo.

Essas casas passaram a ver clientes formarem filas de espera de até uma hora para saborear um miojo de grife, preparado com massa artesanal. Há opções para todos os bolsos e gostos.

A Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) tem uma justificativa para o alto movimento nas "lámen-houses". As massas instantâneas tiveram alta de 8% no consumo dos brasileiros. Nos últimos cinco anos, o faturamento do setor cresceu 18% no País.

Só a marca Nissin, primeira de instantâneos do mundo e pioneira no Brasil - a empresa chegou por aqui há 45 anos -, diz que por ano são vendidos cerca de 2 bilhões de pacotes de lámen. É como se cada brasileiro consumisse 11 pacotes de miojo a cada ano.

Sucesso. Maurício Kanashiro, de 34 anos, um dos sócios do Lámen Kazu, na Liberdade, associa o sucesso do seu restaurante à venda do macarrão instantâneo. "O miojo, ao longo desses anos, foi incorporado à cultura brasileira. E isso nos ajuda a vender. Mas nossa matéria-prima é diferente." Os 4 mil pratos de lámen vendidos mensalmente são feitos com massa importada do Japão. Os 32 lugares do restaurante são sempre disputadíssimos.

No Rong He Massa Chinesa, o chef chinês Yang We, numa cozinha emoldurada de vidro, faz malabarismos com a massa de lámen. Por lá, o movimento também é alto, mas é difícil ficar de pé: são 104 lugares disponíveis. E, para quem quer um ambiente mais agitado, uma boa opção é o Porque Sim, vizinho do Lámen Kazu. Por lá, além do macarrão, há as famosas salas de karaokê.

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