MinC libera R$ 2 milhões para museus

Verba servirá para recuperar emergencialmente as instituições mais afetadas pela chuva, como a Chácara do Céu e Casa do Pontal

, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2010 | 00h00

RIO

O Ministério da Cultura (MinC) anunciou ontem, em Brasília, a liberação de R$ 2 milhões para recuperar os museus mais atingidos pelas chuvas no Rio de Janeiro. Os recursos serão utilizados em ações de emergência nos museus da Chácara do Céu, do Açude, de Arte Naïf e Casa do Pontal. Todos estão fechados desde segunda-feira, após o forte temporal que atingiu todo o Estado. A reabertura ainda dependerá das condições de cada unidade e das orientações que vierem a ser dadas pelas Defesa Civil.

No Museu da Chácara do Céu, construção de 1954 que está localizada no bairro de Santa Teresa, falta energia elétrica, um muro caiu e o acesso foi dificultado por deslizamentos na Rua Murtinho Nobre. O museu abriga o maior acervo público do pintor Cândido Portinari, além de obras de artistas modernos brasileiros como Guignard, Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Antonio Bandeira.

Exibe também algumas pinturas, desenhos e gravuras dos europeus Matisse, Modigliani, Degas, Seurat e Miró. Outras peças importantes são aquarelas e guaches de viajantes do século 19, incluindo Rugendas, Chamberlain e Taunay.

No Açude, localizado em uma área de 151 mil metros quadrados na Floresta da Tijuca, bairro do Alto da Boa Vista, algumas obras foram soterradas pela queda de uma barreira e colunas da varanda estão ameaçadas, conforme o MinC. O museus exibe importante coleção de azulejaria, louças e painéis europeus, principalmente portugueses, dos séculos 17, 18 e 19. Tem ainda arte e porcelana orientais, além de móveis, pratarias e cristais. Desde 1999, o museu exibe instalações de artistas como Helio Oiticica, Anna Maria Maiolino, Lygia Pape e Nuno Ramos.

100 países. Já o Museu Internacional de Arte Naïf, localizado no Cosme Velho, na zona sul do Rio, tem o acervo mais completo do mundo de arte naïf, com 6 mil obras de artistas de todos os Estados brasileiros e de 100 países. Localizado ao lado da estação do bondinho do Corcovado, fica em uma casa tombada pelo patrimônio histórico. Na chuva de segunda-feira, a reserva técnica do museu foi atingida, danificando telas de pintores de México, Haiti, Polônia e China. A diretora Jacqueline Finkelstein, filha do fundador Lucien Finkelstein, acredita que as obras podem ser recuperadas. Fundado em 1995, o museu tem obras de destaque como o quadro Rio de Janeiro, gosto de você, desta gente feliz, de Lia Mittarakis. Outro quadro, Brasil, 500 anos, de Aparecida Azedo, tem 1,24 metro de altura por 24 metros de comprimento.

Arte popular. A Casa do Pontal é o maior museu de arte popular do Brasil. Localizado no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, em um sítio de 12 mil metros quadrados, tem um acervo de cerca de 8 mil obras de 200 artistas brasileiros como Mestre Vitalino e Mestre Didi, entre outros.

A área de exposições permanentes tem 1,5 mil metros quadrados, com cerca de 5 mil obras. O acervo não sofreu com as chuvas de segunda-feira, apesar de as galerias terem sido atingidas pelas águas. As obras foram retiradas a tempo para o segundo andar. A diretoria do museu ainda avalia o tamanho do prejuízo às instalações.

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