Milhares de itinerários e um destino: o centro

Tendência é mudança da estrutura urbana com o surgimento de subcentros

Eduardo Reina e Renato Machado, de O Estado de S.Paulo,

03 Abril 2009 | 00h33

SÃO PAULO - A falta de planejamento urbano e a ocupação descontrolada do solo se refletem em um mapa que se repete a cada edição da pesquisa “Origem e Destino”: o centro de São Paulo é há pelo menos quatro décadas o grande polo atrativo, sobretudo para deslocamentos motorizados. “As viagens dependem exclusivamente de onde as pessoas moram e onde elas trabalham. E isso provoca um impacto no uso do transporte coletivo, sobrecarregando o sistema”, diz o o professor Carlos Alberto Bandeira Guimarães, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp.

 

 

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Todos os quatro grandes fluxos detectados no levantamento são para a região central, incluindo um pequeno pedaço das zonas sul e oeste da capital, onde estão concentrados grandes e novos conglomerados empresariais, como as Avenidas Luís Carlos Berrini e Francisco Matarazzo e imediações. Os principais fluxos apontam mais de 250 mil viagens por dia partindo dos sete municípios do ABC, Guarulhos, Osasco, Taboão da Serra e bairros das quatro zonas da capital. Além desses, há outros dez fluxos para o centro expandido.

 

Para Guimarães, deve existir um trabalho conjunto em três níveis para equilibrar o quadro: o federal, o estadual e os municipais. “Pela complexidade da situação, são necessárias ações do Ministério das Cidades e do governo do Estado e também das prefeituras envolvidas. Não adianta pensar cidade por cidade. É preciso pensar daqui pra frente em macrometrópole para despolarizar as áreas centrais”, afirmou.

 

Entre as ações citadas pelo especialista em transporte está o planejamento urbano, com a criação de novos polos de emprego. “De certo modo isso já começa a acontecer, como nos bairros de Santana e Brás, na capital, mas é preciso promover a descentralização em todas as cidades da região metropolitana. Hoje, quem é mais pobre vai morar na periferia, onde encontra imóveis mais baratos”, relata.

 

Em relação às viagens internas - com percursos na mesma região - somente o centro expandido da capital e os municípios do ABC são responsáveis por mais de 3 milhões de deslocamentos motorizados por dia.

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