Metrô confirma engenheiro condenado como novo presidente

Peter Walker foi indicado na semana passada pelo secretário Jurandir Fernandes

Caio do Valle, Jornal da Tarde

19 Abril 2012 | 17h07

SÃO PAULO - O Conselho de Administração do Metrô de São Paulo decidiu nesta quinta-feira, 19, que o novo presidente da empresa é o engenheiro eletricista Peter Walker, atual secretário adjunto de Transportes Metropolitanos. O nome havia sido indicado na semana passada pelo secretário Jurandir Fernandes e acatado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A confirmação da escolha ocorreu apesar de Walker já ter sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa, como mostrou reportagem publicada pelo Jornal da Tarde no último sábado.

A condenação, depois de uma ação do Ministério Público Estadual, é por suposta contratação irregular de funcionários entre 1988 e 1996 na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa), empresa de água e esgoto de Campinas, da qual Walker esteve à frente. Outros 17 executivos foram processados.

Proferida em outubro o ano passado, a sentença do juiz Mauro Fukumoto, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, prevê a perda dos direitos políticos de Walker por três anos. Por este mesmo período, ele não pode manter contratos com o poder público.

Em nota, a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos informou que "o governo age dentro da lei ao indicar o nome de Peter Walker" para presidir o Metrô, já que, a condenação dele "não constatou enriquecimento ilícito, tampouco desvio de dinheiro e verificou que os serviços foram efetivamente prestados".

O resultado da aprovação do nome não surpreende. O Conselho de Administração do Metrô, que representa os acionistas da empresa, é presidido pelo próprio secretário Jurandir Fernandes, que indicou Walker para o cargo. Além disso, na segunda-feira, 16, Alckmin já havia declarado que manteria a nomeação.

Entre os cinco membros do conselho que ratificaram o nome de Walker está o ex-governador tucano Alberto Goldman, antecessor de Alckmin.

A grande maioria das ações do Metrô é de propriedade da Fazenda do Estado de São Paulo, mas funcionários da empresa e a Prefeitura de São Paulo têm posse de parte das ações.

Walker substitui o economista José Kalil Neto, que ocupou a presidência do Metrô por 15 dias, após a saída do advogado Sérgio Avelleda, que foi trabalhar em uma empresa privada do segmento ferroviário. Segundo a assessoria de imprensa, Walker assume a nova função hoje.

No ano passado, Avelleda, que também já foi presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), chegou a ser afastado da presidência do Metrô pela Justiça, por suspeita de fraude na licitação das obras da Linha 5-Lilás.

Superlotação. Em entrevista na última sexta-feira, 13, Walker afirmou que o principal desafio do Metrô é a superlotação. "Esse aumento do poder aquisitivo do brasileiro está refletindo para todos, em aeroportos, em ferrovias, no Metrô, na CPTM. E nós temos que correr atrás."

Além disso, ele disse que pretende ir trabalhar alguns dias de Metrô. "Se você vai trabalhar em alguma coisa, você precisa conhecer o local, sentir, ver uma pessoa irritada, saber o que está acontecendo."

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