Meteorologia avisava que chuva seria forte

Site do Centro de Estudos Climáticos informava na manhã de ontem que ocorreriam 'acumulados significativos' no Rio

Afra Balazina, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

Ainda não é possível saber exatamente quanto vai chover, mas os meteorologistas conseguem avaliar se o volume será grande ou não. Isso foi feito, por exemplo, pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) no caso da chuva de ontem. "Não temos como prever o volume exato da chuva. Mas temos condições de dizer se vai ser um volume significativo e enviar alertas", afirma a meteorologista do Cptec Naiane Araujo.

Na manhã de ontem, o Cptec avisava em seu site que "ocorrerão acumulados significativos de chuva na faixa litorânea de SP, grande parte do RJ e no Vale Histórico".

O feriado da Páscoa teve grande nebulosidade e, entre anteontem e ontem, houve um avanço de uma frente fria que acabou atingindo o Rio de Janeiro. Segundo a meteorologista, os ventos úmidos vindos do oceano mantêm a instabilidade, a nebulosidade e a chuva na área ao longo de toda a semana.

De acordo com Augusto José Pereira Filho, professor de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), essa frente deixou o ar mais frio em São Paulo e no Rio. O oceano, no entanto, estava muito quente, o que favoreceu a situação. "A temperatura do oceano está em média 2º C mais alta do que o normal", afirma.

Apesar de no mês de abril chover mais no Rio do que nos meses de janeiro, fevereiro e março, o volume foi muito acima do esperado. A média de chuva em todo o mês de abril é de 140 milímetros, mas, em 24 horas, choveu praticamente o dobro disso.

Segundo Pereira Filho o volume de chuvas foi "excepcional". Em janeiro, São Paulo teve no mês todo 690 milímetros de precipitação - a média para o período é de 240. Já no Rio, só na estação Sumaré o volume observado ontem foi de 290 milímetros.

Na opinião do professor, a previsão do tempo foi certeira, mas faltou monitoramento com sistemas de radar. Ele avalia, também, que é preciso aumentar o número de estações meteorológicas. As imagens de satélite usadas pelo Brasil, segundo ele, também têm falhas.

"Lamentavelmente, as imagens de satélite desse período estavam ruins. Nós temos às vezes falhas de recepção e ficam alguns buracos", diz.

Remoção. Para o ambientalista Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, é um erro apontar a chuva como causa das mortes.

Para ele, há três tipos de problemas envolvidos na questão de deslizamentos e alagamentos durante as chuvas: ações do homem que degradam o ambiente e propiciam a erosão e o assoreamento, a ocupação de áreas de risco, como encostas e várzeas, e a falta de um monitoramento geológico pelo governo.

"Carecemos de investimento em Defesa Civil que serviria tanto para avaliar os fenômenos naturais quanto para aqueles induzidos pela ocupação humana", afirma. Em sua opinião, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, deveria priorizar a remoção da população de áreas de risco e sua estruturação em outros locais mais adequados.

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