Mesmo sem cumprir metas, Kassab se dá nota 10

Balanço apresentado ontem pelo próprio prefeito mostra que sua gestão só realizou 36% dos compromissos assumidos no âmbito da Agenda 2012

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2012 | 03h02

A seis meses do fim do mandato e sem ter cumprido promessas importantes de campanha, como a construção de três hospitais, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) voltou a dar nota 10 para sua gestão e disse na tarde de ontem que "deixará de ser feito aquilo que não foi priorizado".

A afirmação foi feita após a apresentação de um vídeo de uma hora com os feitos do governo municipal ao longo nos últimos 3,5 anos, em que programas como o Mãe Paulistana e o Céu é Show foram exaltados.

Mesmo assim, Kassab deu nota 10 para sua administração, que cumpriu 81 das 223 metas de governo estabelecidas por ele na Agenda 2012 (36,32%). "Eu sempre digo que a nota é 10. É 10 pela determinação, pela seriedade, pela eficiência. É 10 pela equipe que tem uma disposição para responder pelas demandas de São Paulo", disse Kassab.

Apesar da nota alta, o prefeito disse ter "humildade" para reconhecer que "falta muito" a ser feito e espera que seu sucessor "possa continuar investindo principalmente em saúde e educação, porque ainda é um trabalho de alguns anos".

O coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew, diz não se surpreender com o fato de Kassab afirmar que deixará de ser feito o que não foi priorizado. "É exatamente isso. Se ele não cumpriu é porque não se empenhou em cumprir. É uma pena, porque itens como saúde, educação e mobilidade urbana são considerados os principais problemas pelos paulistanos", diz.

Nota 3. Grajew ressaltou que as metas foram criadas para que a população possa acompanhar o trabalho de um governo. "A nota deveria ser dada com base no cumprimento das promessas. Se ele só cumpriu 30% das metas, minha nota é 3."

Para o arquiteto e urbanista do Instituto Pólis Kazuo Nakano, a falta de um processo constante sobre a discussão dos investimentos necessários para a cidade ajuda a dificultar o consenso sobre o que é prioridade. "É por isso que o prefeito diz isso. Não há discussão das necessidades básicas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.