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Mesmo com bônus da Sabesp, 24% aumentam consumo de água

Caio do Valle e Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 16h 03

Dados da empresa mostram também que 37% dos consumidores atingiram meta e conseguiram desconto, e outros 39% reduziram o consumo, mas abaixo do índice de bônus lançado em fevereiro

Atualizada às 20h49

SÃO PAULO - Apesar do plano de bônus lançado há dois meses pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), 24% dos consumidores abastecidos pelo Sistema Cantareira na Grande São Paulo aumentaram o gasto com água em vez de reduzi-lo. O dado foi divulgado nesta segunda-feira, 31, pela empresa, que vai ampliar o programa que dá 30% de desconto na conta para quem diminuir o consumo de água em 20%.

A partir desta terça-feira, 1, o bônus vale para os 31 municípios da Região Metropolitana que são atendidos pela Sabesp, incluindo a capital. São 17 milhões de clientes, ao todo. Antes, a medida estava restrita a 11 cidades e alguns bairros paulistanos abastecidos diretamente com água do Cantareira. Agora, as regras só não valem para os municípios com serviço próprio de abastecimento, como Guarulhos e Santo André. A informação foi antecipada pela edição desta segunda-feira do jornal Folha de S.Paulo.

Para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a ampliação do bônus tem como objetivo reduzir o consumo dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, que hoje já abastecem cerca de 2 milhões de imóveis que antes da crise recebiam água do Cantareira, para aumentar o volume de água revertida.

"Isso ajuda muito porque, na medida em que nós tivermos uma redução, por exemplo, no Guarapiranga, poderemos abastecer mais água do Guarapiranga, substituindo o Cantareira. Na medida em que tivermos uma redução no Alto Tietê, podemos usar mais água do Alto Tietê para atender ao Cantareira", disse Alckmin. Ontem, o nível do Cantareira caiu para 13,4% da capacidade, o mais baixo da história.

A Sabesp, porém, reconheceu que a política de desconto tem alcance limitado. Segundo a companhia, apenas 37% dos consumidores atingiram a meta e ganharam o bônus de 30%. Outros 39%, segundo a empresa, economizaram água, mas não atingiram o patamar mínimo de 20%. O programa é válido até dezembro.

Na semana passada, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, já havia dito em audiência na Assembleia Legislativa que os clientes com padrão médio e alto não haviam aderido. Segundo ele, imóveis na zona norte foram os que mais economizaram água e o centro foi a região que menos contribuiu.

Condomínio. Nesta segunda-feira, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, atribuiu o problema ao elevado número de condomínios que não têm medição de consumo individualizada. Ou seja, a conta é diluída entre os apartamentos. "As pessoas não têm um contato direto com a fatura. É uma explicação, mas não uma justificativa, porque todos sabem que estamos passando por um evento crítico inédito."

Segundo a Sabesp, já foi possível reduzir o consumo em 4,1 mil litros de água por segundo com a medida em dois meses. Com a ampliação do bônus, a meta é chegar a uma economia de 6 mil litros por segundo, o que equivale a mais de 518 milhões de litros de água por dia.

Cidades que terão o plano de bônus:

São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairros da divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.