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GABRIELA BILO/ ESTADÃO

Mercado de Pinheiros vai cobrar de motorista

Estacionamento será pago a partir de 2015; medida serviria para evitar abusos

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Adriana Ferraz ,
O Estado de S. Paulo

24 Dezembro 2014 | 03h00

O estacionamento do Mercado Municipal de Pinheiros, na zona oeste da cidade, será pago a partir de 2015. A Prefeitura autorizou, no último sábado, 20, a cobrança do serviço oferecido hoje de maneira gratuita. De acordo com a Supervisão Geral de Abastecimento do Município, a decisão foi tomada para evitar o abuso na utilização do espaço, assegurando sua reserva só para clientes do mercado.

A empresa escolhida para gerenciar as cerca de cem vagas cobertas e descobertas existentes no prédio foi a Ceasa Garagem Park, que pagará à gestão Fernando Haddad (PT) a quantia de R$ 5,1 mil como contrapartida. Inicialmente, a terceirização do estacionamento será valida apenas por 90 dias - depois disso, a ordem pode ser prorrogada ou uma licitação lançada para oficializar a medida e abrir concorrência pelo menor preço. A Prefeitura não informou como vai cobrar pelo serviço nem o preço que praticará. 

Na vizinhança do mercado, que fica na Rua Pedro Cristi, próxima do Largo da Batata, os estacionamentos privados cobram, em média, R$ 10 por hora. Para fugir desse pagamento, há quem vá ao mercado somente para usar a garagem. “Tem gente que abusa mesmo. Larga o carro aqui dentro para ir ao banco ou às lojas do bairro. Isso atrapalha quem vem comprar ou comer no mercado”, afirma Odair Ferreira, de 57 anos, que vende frutas.

Para tentar provocar constrangimento no motorista que adota essa prática, a administração do mercado começou a distribuir, há cerca de um mês, uma espécie de ficha na entrada do estacionamento, com o horário marcado. “Essa ficha precisa ser carimbada em um dos boxes para que o motorista consiga sair. Ele não paga nada, mas fica em uma situação desconfortável se o seu carro passar o dia no mercado”, diz a vendedora Cida Tokuyama, de 32 anos. Segunda ela, só essa iniciativa já ajudou a reduzir os abusos.

Na tarde desta terça-feira, 23, dois funcionários estavam responsáveis por distribuir e recolher as fichas de controle à garagem. A dupla também ajudava o motorista a encontrar uma vaga, mas não sabia informar quando a empresa terceirizada assumirá o gerenciamento do espaço. Por volta das 14h, a reportagem não enfrentou dificuldades para encontrar uma vaga.

Metrô. Desde maio de 2010, quando foi inaugurada a Estação Faria Lima do Metrô, da Linha 4-Amarela, comerciantes e administradores do mercado começaram a observar que muitas pessoas deixavam o carro parado na garagem do mercado o dia todo e só voltavam para buscar à noite. O acesso à entrada da estação fica a menos de cinco minutos a pé. 

Essa utilização inadequada da garagem é a explicação oficial da Supervisão Geral de Abastecimento do Município para entregar o gerenciamento do espaço a uma empresa terceirizada. O órgão, que responde à Secretaria Municipal do Trabalho, vai aplicar a mesma regra no Mercado Municipal de Penha. A Ceasa Garagem Park também recebeu autorização da pasta para assumir as vagas do mercado da zona leste.

Em ambos os casos, a gestão Fernando Haddad (PT) não deixou claro como se deu a escolha da empresa nem quais preços vai permitir que sejam praticados nos estacionamentos. Para os comerciantes de Pinheiros, a terceirização é correta, desde que os valores não afastem a clientela.

“A garagem vai ficar mais organizada quando tiver uma empresa aqui. Tem muita gente que desiste de entrar porque não encontra vaga na garagem. Mas, para dar certo, a Prefeitura precisa cobrar um preço simbólico e até dar desconto para quem consome dentro do mercado”, diz a gerente do café Caramello, Tânia Gouveia.

Um modelo considerado justo pelos vendedores é o que funciona no Mercado Municipal da Lapa, na zona oeste da cidade. O estacionamento localizado na frente do espaço é gratuito para clientes. “Essa seria uma boa solução para nós. Acho que assim não afastaria os clientes”, completa Ferreira.

Rede. A Prefeitura tem hoje 13 mercados municipais. Na lista está o Mercadão, na Rua Cantareira, centro da cidade. Mais movimentado de todos, ele recebe cerca de 50 mil pessoas por semana. O público pode chegar a pé, de transporte público ou mesmo de carro - no local há um estacionamento público, onde se paga apenas a folha de Zona Azul. A hora custa R$ 5. Nos demais mercados, a maioria das garagens não cobra de seus clientes.

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