Mercadão, Praça Roosevelt e 25 de Março terão garagens subterrâneas

Prefeitura faz amanhã primeira audiência pública para discutir construção; plano é criar 1.390 vagas nos três locais até o ano que vem

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h05

A Prefeitura vai realizar amanhã a primeira audiência pública para discutir com a população a construção de três garagens subterrâneas na capital. Os estacionamentos ficarão nos subsolos do Mercado Municipal da Cantareira e das Praças Fernando Costa (região da 25 de Março) e Roosevelt, no centro.

O número de pavimentos e vagas em cada um deles já foi definido, assim como as ruas de entrada e saída dos veículos. Segundo o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, Rubens Chammas, o edital já está pronto e a licitação deve ocorrer em breve. A conclusão das obras está prevista para o primeiro semestre de 2013.

No total, serão 1.390 vagas, 110 a menos que o divulgado no ano passado. De acordo com a Prefeitura, as garagens subterrâneas têm o objetivo de melhorar a fluidez no trânsito. Com isso, vagas de Zona Azul em ruas do entorno podem deixar de existir. Isso porque o estacionamento nas garagens terá o preço cobrado por empresas privadas em cada local. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no entorno dessas regiões existem hoje 1.167 vagas de Zona Azul.

A proposta é que, por meio de licitação, empresas privadas construam e administrem por 30 anos as garagens. O valor da diária não foi definido, mas dois estacionamentos municipais administrados por consórcios (Trianon e Hospital das Clínicas) cobram R$ 40 por dia ou R$ 12 a primeira hora. O valor foi reajustado em 133% no fim do ano passado, com autorização da Prefeitura.

As garagens subterrâneas terão vagas para veículos grandes, leves, motos e bicicletas. A maior será a do Mercado Municipal, que terá três pavimentos e 555 vagas. O acesso será apela Avenida Mercúrio e a saída dos carros, pela Rua da Cantareira.

Para não ter de pagar entre R$ 8 e R$ 15 pela primeira hora de estacionamento no entorno do Mercado Municipal, o comerciante Nelson Sábio Júnior, de 49 anos, teve de esperar 40 minutos para conseguir deixar o carro em uma das 170 vagas de Zona Azul do bolsão de estacionamento do local na tarde de anteontem. "É a segunda vez que venho para essa região e é um absurdo o preço do estacionamento. Ou você aceita pagar ou espera por uma vaga mais em conta", diz o comerciante, que é da cidade de Paulínia, no interior paulista. Não faltam estacionamentos na Rua da Cantareira, onde fica o Mercadão, mas os preços altos assustam os motoristas.

"Não temos outras opções além do estacionamento privado. A iniciativa de construir uma garagem subterrânea é bem interessante desde que o preço seja mais acessível. É algo que já ocorre em cidades como Nova York", diz o comerciante Marco Antônio Robertti, de 49 anos, que trabalha no Mercadão há 29.

Na Praça Fernando Costa, o preço é similar. O estacionamento ali terá 495 vagas e três pavimentos. Hoje, a praça está tomada por ambulantes e são poucas as vagas para estacionar na rua. A saída são os estacionamentos particulares, que cobram de R$ 5 a R$ 10 pela primeira hora.

Enquanto isso, nas imediações da Praça Roosevelt o valor dos estacionamentos varia de R$ 6 a R$ 7. As demais horas custam, em média, R$ 3. "Acho caro, mas são poucas as vagas de Zona Azul. A saída são os estacionamentos", diz a lojista Ana Maria Cardoso, de 36 anos.

Crítica. Mas há quem critique a proposta. O engenheiro de tráfego Sérgio Ejzenberg afirma que não é competência da Prefeitura criar estacionamentos. Para ele, a iniciativa de construir três garagens no centro vai contra as promessas municipais de melhoria na fluidez do trânsito. "A Prefeitura deveria fazer corredor de ônibus, transferir dinheiro para as obras do Metrô e não se meter em um assunto que é da iniciativa privada", diz. Ele explica que, assim, a administração estimula o uso de carros.

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