Médico cubano é afastado por prescrição errada

Profissional é acusado de indicar dose 4 vezes maior de dipirona para bebê; mãe e vizinhos de posto de saúde, porém, defendem retorno dele ao trabalho

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2013 | 02h04

Integrante do programa Mais Médicos, do governo federal, o médico cubano Isoel Gomez Molina foi afastado, na tarde de ontem, pela Secretaria de Saúde de Feira de Santana, na Bahia. O profissional é acusado de prescrever uma superdosagem de dipirona (analgésico e antitérmico) para um bebê de 1 ano e 10 meses. A criança não chegou a ser medicada na quantidade indicada pelo médico.

A denúncia de má atuação foi feita por outra médica do município, que atendeu o bebê em uma policlínica e pediu para ver a receita que havia sido passada por Molina. No documento, o médico indica que sejam ministradas 40 gotas do medicamento ao bebê, de 10,2 quilos - quando o indicado na própria bula do remédio é que a dose deve ser de uma gota por quilo.

A receita foi levada à direção da unidade e repassada para a secretaria, que instaurou sindicância para apurar o caso, conforme a Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério da Saúde. As apurações, de acordo com o órgão, vão durar até 30 dias, período no qual o médico ficará afastado.

Volta. A população da região, porém, defendeu o retorno imediato do profissional ao trabalho. A mãe da criança, a diarista Gilmara Santos, porém, afirma que Molina não errou. "Ele explicou que seria uma gota por quilo do meu filho, só errou na hora de escrever a receita", alegou, durante um protesto de moradores da região. Na frente do posto de saúde no qual o médico trabalha, eles reivindicavam seu retorno ainda ontem. De acordo com Gilmara, como a febre do filho continuou após o uso do medicamento, ela decidiu procurar a policlínica.

Conforme a secretaria municipal, trabalham na cidade 12 integrantes do Mais Médicos. O órgão ainda informa que, por causa do ocorrido, eles passarão por um treinamento, no fim de semana, com profissionais do Sistema de Assistência Farmacêutica da cidade.

Atualmente, há 3.663 médicos atuando em 1.099 municípios pelo Mais Médicos, atendendo 12,6 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. Há ainda o reforço prometido de 3 mil profissionais, até o fim do ano. Nesta semana, o ministro Alexandre Padilha anunciou em São Paulo que a terceira fase do Mais Médicos não aceitará novas cidades. Brasileiros e estrangeiros poderão se inscrever a partir da primeira semana de dezembro. Mais cubanos também poderão ser trazidos.

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