Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Mascarados aterrorizam centro com saques e ataques a policiais

Grupo de aproximadamente 100 pessoas infiltradas no protesto espalha medo e tenta invadir prédio ocupado por sem-teto

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h01

Um grupo de cerca de cem pessoas, a maioria com máscaras e lenços cobrindo o rosto, depredou e saqueou pelo menos 20 lojas no centro de São Paulo na noite de ontem. Alguns estabelecimentos foram incendiados. A onda de ataques que deixou um cenário de destruição começou por volta das 21h30 e só terminou quando a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou no perímetro das ruas do centro antigo da capital paulista.

Segundo a Polícia Civil, 47 pessoas foram presas, pelo menos 20 em flagrante. A maior parte dos saqueadores era moradores de rua e dependentes químicos, segundo os policiais. Uma menina de 15 anos foi flagrada com uma cafeteira e um secador de cabelos. Também foram recuperados fornos de micro-ondas, televisões de plasma, jogos de talheres e até um fogão de quatro bocas. Perguntado pela polícia a origem desse último produto, o acusado tentou se justificar: "Comprei."

O protesto do Movimento Passe Livre (MPL) havia começado cinco horas antes de forma pacífica, com a concentração de 12 mil pessoas, segundo a PM, na Praça da Sé. A massa seguiu para a Prefeitura, que foi alvo de tentativa de invasão de anarquista (leia mais na pág. 14). Depois da dispersão do ataque à sede do Executivo municipal a destruição no centro começou.

Os saques foram no entorno da Praça do Patriarca e na Rua Barão de Itapetininga, sem que nenhum policial aparecesse.

Descontrole. Foi cerca de meia hora de território livre em um cenário completamente diferente das bandeiras brancas e pedidos de paz na manifestação de anteontem. O grupo invadiu lojas, agências bancárias e lanchonetes. Bancos tiveram as vidraças quebradas. Depois, saquearam as lojas Marisa e Americanas. O Estado viu várias pessoas com roupas e eletrodomésticos roubados.

Na Rua Barão de Itapetininga às 21h30, até um McDonald's foi arrombado. O grupo derrubou o portão de ferro e, sem ter como impedir a ação, o segurança apenas assistiu várias pessoas quebrando objeto e levando alimentos. A turba também invadiu lojas de companhias de telefone como a da Oi e de cosméticos como a do Boticário, entre outras.

A audácia dos vândalos era tanta que cerca de 18 policiais militares tiveram de fugir em direção à Praça da Sé depois de receber uma chuva de pedras arremessadas pelo grupo.

Até um integrante dos Black Blocks, a chamada "tropa de choque" anarquista que lidera as depredações em protestos, estava preocupado com o andamento da violência no centro. Um dos membros do grupo, que considera vandalismo uma arma política, disse à reportagem que eles haviam caído em uma armadilha. "O Estado não colocou polícia. Isso está um barril de pólvora."

Os manifestantes tentaram invadir o Othon Palace Hotel, ocupado por sem-teto. Um morador chegou a ser chutado no chão, mas seus companheiros intervieram e os agressores partiram para outros alvos.

Havia lógica na baderna. Barricadas foram colocadas em vias de acesso importantes, como a Rua Xavier de Toledo. Mas isso não impediu a movimentação das equipes dos bombeiros, que chegaram depois de cerca de 30 minutos de saque e depredação para apagar os focos de incêndio.

Depois disso, quando a multidão já havia se dispersado, vários ônibus da Tropa de Choque da Polícia Militar chegaram ao centro. Dezenas de homens da tropa e de outros batalhões da PM passaram a percorrer a pé as ruas do centro antigo de São Paulo.

Por volta das 22h20 o centro já estava calmo. Havia apenas o rastro de destruição deixado pela multidão: lixeiras jogadas pelo chão, placas de trânsito quebradas, fachadas pichadas e portões arrombados. Depois da depredação, o grupo seguiu tremulando as bandeiras queimadas de São Paulo para as escadarias Teatro Municipal para comemorar e ameaçar mais um cartão-postal paulistano.

Manifestações. Novos protestos estão marcados para hoje no Largo do Piraporinha, na região do M'boi Mirim, na zona sul da capital, ABC paulista e Taboão da Serra na Região Metropolitana. / ARTUR RODRIGUES, BRUNO PAES MANSO e PAULO SALDAÑA

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