Marquise retoma desenho original. E o autor lamenta

Embora aprove restauro, Oscar Niemeyer 'ficaria mais feliz' se seu projeto de redesenho não tivesse sido bloqueado pelo tombamento

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2012 | 03h04

A mesma planta de 1954. Quando a Prefeitura retirar parte dos tapumes que envolvem a marquise do Parque do Ibirapuera, na próxima semana, os frequentadores do espaço não terão surpresa, para lamento de Oscar Niemeyer. Há cerca de dez anos, o arquiteto redesenhou uma das pontas da laje, para interligar o espaço ao novo auditório e também à Oca. A interferência, no entanto, não foi feita.

A explicação está nos impedimentos impostos pelo tombamento da estrutura. A proteção do bem veta novas intervenções. O restauro (a primeira grande obra que a marquise recebeu desde a inauguração) já agrada Niemeyer, mas a interligação o faria mais feliz, segundo seus colegas.

O arquiteto Jair Valera, que há 30 anos trabalha com Niemeyer, diz que a proposta criaria um espaço harmônico no parque e permitiria a integração completa entre os equipamentos. "Foi uma pena o projeto não ter sido aceito. Ficou realmente muito bonito."

Sem a alteração no projeto, a reforma se resumiu ao trabalho de revisão das redes elétrica e hidráulica, troca de todo o piso, impermeabilização da laje e retomada do acabamento original, em pastilhas, além de pintura e nova iluminação.

Com lâmpadas LED, que são mais eficientes do que as comuns e prolongam a vida útil do sistema, as 722 luminárias instaladas são embutidas, como em 1954. Foram retiradas todas as 1,8 mil caixas com lâmpadas fluorescentes instaladas ao longo das últimas décadas.

Responsável pela obra, a engenheira Solange de Campos cita outro diferencial: a confecção de pastilhas iguais às originais para acabamento da estrutura. "Foram encomendados quase 2 mil metros do produto, na cor bege, como previsto por Niemeyer."

Democrático. Contente com o resultado, o administrador do parque, Heraldo Guiaro, diz que a liberação da marquise devolverá aos usuários o espaço mais democrático do Ibirapuera. "Esse é o local da diversão de todas as tribos. Aqui, elas podem praticar esportes, fazer ou assistir a apresentações culturais, brincar. É um meio de transformação", afirma Guiaro.

Anteontem, patinadores puderam experimentar o novo piso, sob supervisão de Luiz Santoro, secretário adjunto da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb). "Ficou ótimo. Está bem mais liso do que antes, ideal para deslizar com patins", disse Victor Fialkovics, de 17 anos, atual campeão paulista na categoria clássico. / ADRIANA FERRAZ

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