Marginais terão câmera da PM a cada 4,5 km

20 equipamentos serão instalados nas duas vias para coibir roubos de veículos e latrocínios, crimes que cresceram na capital em novembro

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2011 | 03h02

As Marginais do Tietê e do Pinheiros receberão 20 câmeras de segurança da Polícia Militar até junho, média de um equipamento a cada 4,5 quilômetros de via. A medida foi anunciada ontem pelo comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, e visa a coibir principalmente crimes contra o patrimônio, os de maior crescimento no Estado e na capital. Entre eles estão o roubo de veículos, que teve alta de 14,9% na cidade de São Paulo, e latrocínio, com 7 casos em novembro - maior número desde julho.

Segundo Camilo, as câmeras são uma resposta a esses e outros tipos de crimes na capital. "Pela experiência, diria que 50% dos latrocínios envolvem roubo de veículos", diz o delegado-geral da Polícia Civil, delegado Marcos Carneiro. Em relação ao latrocínio, há aposta também no novo departamento voltado especialmente para o crime: a 3.ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos e Latrocínios.

Quanto às câmeras, a ideia é recorrer a elas para rastrear veículos em fuga pelas vias, incluindo aqueles usados para crimes em outras localidades mais afastadas. "O que enfrenta essa criminalidade, além de boa investigação, de descobrir as quadrilhas, é a polícia bem colocada, com sistemas inteligentes na rua", disse o coronel. Apesar da chegada das câmeras, o patrulhamento de 54 pontos das Marginais, iniciado em julho após uma onda de assaltos, será mantido.

As câmeras serão ligadas a uma central de monitoramento 24 horas, a ser construída no Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), e terão as imagens transmitidas também para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). A central, que atende os chamados do 190, é a responsável por gerenciar as atuais 270 câmeras da PM na cidade. A Polícia Militar também tem acesso a 100 câmeras da Prefeitura, com quem pode compartilhar as novas unidades.

De acordo com o comandante, a análise para a instalação começou neste mês pela inteligência da polícia e deverá ser concluída no próximo mês, para que se inicie o processo de licitação. "O estudo está sendo feito para ver qual seria o melhor posicionamento dessas câmeras, para não ter ângulo morto (com visão prejudicada)", disse Camilo. Dependendo das conclusões, mais câmeras podem ser adicionadas ao projeto.

Os dispositivos têm capacidade de enxergar em um raio de 360º e podem contar com um zoom de até 600 metros, o que permite visualizar a placa dos veículos e o rosto do condutor. As câmeras também são removíveis, podendo ser reinstaladas de acordo com a necessidade. As imagens gravadas são comparadas com um banco de dados criminais da PM, chamado Fotocrim.

Ceticismo. Para o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, que é pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os equipamentos são uma iniciativa válida, desde que o monitoramento seja constante. Ele acredita, no entanto, que as câmeras não são a melhor forma de combater os crimes, especialmente o roubo de veículos e o latrocínio (roubo seguido de morte). "Tem de dar prioridade para as investigações. O bandido tem de saber que quem comete o roubo com violência tem maior probabilidade de ser pego e ir para a cadeia", defende. Para ele, a certeza da punição, especialmente em relação a crimes violentos, deixaria o criminoso mais cuidadoso com a integridade física da vítima ao praticar roubos.

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