Marcola é condenado a 29 anos por morte de juiz

Julgamento do líder do PCC, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, durou nove horas

Bruno Tavares e Marcelo Godoy,

12 Novembro 2009 | 00h40

O líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi condenado nesta quarta-feira, 11, a 29 anos de prisão pelo assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias, em 2003. A maioria dos sete jurados, seis homens e uma mulher, considerou o homicídio duplamente qualificado - motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. A defesa vai recorrer.

 

O julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, durou nove horas. Durante os debates entre defesa e acusação, o promotor Carlos Roberto Marangoni Talarico procurou fazer com que o conselho de sentença reconhecesse Marcola como o mandante do crime. O objetivo, segundo ele, era pressionar as autoridades a fim de obter regalias para os presos. Outro foco do promotor era mostrar que a vítima não teve chance de defesa, diante da emboscada dos matadores.

 

O discurso da defesa tentou desqualificar as provas. "A acusação não diz qual a efetiva participação do Marcola nesse crime", afirmou o advogado Roberto Parentoni. "Meu cliente é ladrão de banco, reconheço isso. Ele inclusive já foi condenado. Mas para cada caso há um processo e, neste, não há provas."

 

Mais cedo, durante o depoimento das testemunhas, o promotor interrompeu a sessão e exigiu que a segurança do fórum retirasse da sala uma mulher que tentava fazer fotos com um celular. A estudante de Direito Catarina Aparecida da Cruz Cirilo chegou a apagar as fotos que havia feito, mas, ao descobrir que também havia filmagens armazenadas no aparelho, o juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri, determinou que ela fosse levada para a delegacia.

 

Em depoimento, Catarina disse não saber da proibição de se fazer imagens dentro do plenário. A polícia iria verificar com o juiz se havia ou não veto às imagens do plenário e, dependendo da resposta, indiciaria a estudante por desobediência. O celular dela foi apreendido e seria encaminhado para perícia.

As primeiras horas do julgamento de Marcola, iniciado às 14 horas, foram marcadas pelos depoimentos de dois policiais, em torno dos quais defesa e acusação travaram um duelo. A promotoria queria extrair informações e detalhes sobre as investigações da morte do juiz e o funcionamento do PCC, enquanto o advogado do réu insinuava que seu cliente fora vítima de extorsões praticadas por policiais.

 

O ex-diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) Godofredo Bittencourt Filho surpreendeu o plenário ao revelar os detalhes da ameaça de morte feita contra ele pelo chefe do PCC horas antes dos ataques de maio de 2006. "Ele me disse: ‘Eu posso matar o senhor, mas o senhor não pode me matar. Tem de me preservar’", relatou o delegado.

 

Além de Bittencourt, foi ouvido o delegado Ruy Ferraz Fontes, um dos responsáveis pela investigação do homicídio. Ele foi taxativo ao dizer que "todas as decisões da organização tinham de passar pelo Marcola". A única testemunha de defesa foi o diretor do Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, Luciano César Orlando. Ele afirmou nunca ter encontrado celulares em poder de Marcola nos 360 dias em que o chefe permaneceu isolado.

 

Marcola não compareceu ao julgamento. Em 20 de outubro, enviou carta manuscrita ao 1º Tribunal do Júri pedindo que fosse dispensado de comparecer à sessão "por vontade própria e de acordo com a lei".

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