Mapas têm dados errados

Metrô promete trocar orientações de vagões até o fim do mês e das estações até 15 de agosto

JOÃO VARELLA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2012 | 03h03

A argentina Marina Arbolave, de 58 anos, gosta de São Paulo. Visita a cidade duas vezes por ano, mas disse ter ficado "um pouco decepcionada" ao quase se perder pela metrópole. Ao consultar os mapas da rede metroferroviária, quando estava na Estação Santa Cecília, da Linha 3-Vermelha do Metrô, foi informada de que o ramal não fazia conexão com a Linha 4-Amarela, seu destino. "Fiquei desorientada, mas felizmente minha filha lembrava de que havia uma conexão na República. Descemos e vimos que o mapa estava errado", disse.

Os funcionários do Metrô já sabem que os mapas decepcionam e confundem aqueles que circulam por quatro de cinco linhas, conforme levantamento feito pela Estado no mês passado nas 62 estações da rede. Apenas quatro plataformas, todas da Linha 4-Amarela, que tem gestão privada, dispõem as informações corretamente.

"Muita gente desce aqui achando que é na Santa Cecília que se faz a conexão com a Linha Amarela e depois vem reclamar. O que podemos fazer?", pergunta uma funcionária que não quis se identificar. Para remediar a situação, alguns funcionários do Metrô improvisam, colando com fita adesiva panfletos com as informações corretas.

A desinformação causa problemas nas estações compartilhadas, como é o caso da República. Do lado da Linha Amarela, tudo está correto, mas, a menos de cem metros, mapas ainda destacam que o ponto final da Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é a Estação da Luz. Desde o início deste ano, porém, o ponto final dessa linha, que liga a capital ao ABC paulista, é a Estação Brás.

A confusão quase estragou a viagem do advogado Alexandre Araújo, de 37 anos, de Aracaju. Ele se disse indignado. "É uma irresponsabilidade deixar a situação assim. Estou aqui com minha mulher e duas crianças passeando. Não quero me perder nesta cidade imensa."

Nos trens. Se não bastasse o problema dos mapas defasados nas estações do Metrô de São Paulo, os novos trens comprados a partir de 2010 estão com parte dos painéis apagados. O Estado andou em 44 vagões e 14 deles eram considerados novos pela companhia. Todos os vagões novos tinham a pintura do painel apagada, além de também estar desatualizados. Os mapas desses trens não têm moldura e proteção plástica e os passageiros podem encostar sobre a pintura, o que as desgasta.

Nos trens mais antigos, acima das portas há informações erradas da linha em que o trem circula. Os vagões da Linha 1-Azul ainda registram a conexão da Linha 10-Turquesa na Estação da Luz e os trens da Linha 3-Vermelha não põem o Brás como último ponto desse ramal.

Isolada no mapa do Metrô, apenas a Linha 5-Lilás tem informações corretas em seus trens. Por meio de nota, o Metrô informou que tem ciência do problema e até o fim deste mês os mapas dos vagões devem ser substituídos. O Metrô também prometeu trocar os mapas das estações até o dia 15 de agosto.

Segurança. Além da desinformação, outros equipamentos têm falhado no Metrô. As portas automáticas de vidro da Estação Vila Matilde, da Linha 3-Vermelha, ainda não funcionam.

A proteção deveria evitar acidentes durante o embarque e o desembarque, dificultando que objetos ou pessoas caiam nos trilhos da rede. As portas de cerca de 2,5 metros de altura só se abririam quando o trem chegasse, mas hoje estão sempre abertas.

O sistema, similar ao da Linha 4-Amarela, começou a ser instalado em fevereiro de 2010 e é de responsabilidade do consórcio coreano Trends-Poscon.

O Metrô e o consórcio discutem na Justiça a cobrança de uma multa pelo atraso no funcionamento.

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