'Mantive controle para não atirar'

Seis PMs ficaram feridos no protesto de terça

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2013 | 02h08

Foi a missão mais difícil para muitos policiais militares. A manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) de anteontem se espalhou pelo centro e acabou encurralando alguns PMs. Eles contam ter sido alvo de paus, pedras, garrafas, skates e até fogos de artifício.

Enquanto alguns policiais tinham bombas de efeito moral e projéteis de borracha, outros portavam só cassetetes para dispersar os manifestantes. Em um cordão de isolamento da Polícia Militar na Praça da Sé, a soldado Wilma Correa Campos, de 28 anos, afirmou que era alvo fácil e acabou a noite com um braço engessado. "De onde a gente estava, não tinha onde se esconder. Começaram a jogar pedras e uma me acertou no pulso: tive uma fratura", diz ela. "Ontem, estava bem inchado, senti muita dor."

Wilma e outros cinco PMs feridos no protesto foram visitados na manhã de ontem pelo governador do Estado em exercício, Guilherme Afif Domingos (PSD), e pelo secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira. De seu lado, manifestantes também acusam a polícia de truculência e contabilizam pelo menos 50 feridos no protesto de anteontem. A PM nega os abusos.

O cabo Edson Silva Ramalho, de 45 anos, estava no Parque Dom Pedro quando milhares de manifestantes chegaram de repente. "Jogaram pau, pedra, garrafa. Uma long neck me acertou no rosto", conta, com esparadrapo na face.

O capitão Rogério Lemos Toledo, de 42 anos, diz que presenciou o uso de fogos de artifício contra os policiais. "Eles vinham a curta distância e atiravam. Muitos foram atingidos."

Para evitar uma tragédia, o oficial afirma que a orientação dada aos subordinados era "controlar sem cometer excessos". Para o soldado Wanderlei Paulo Vignoli, de 43 anos, que fazia a segurança da sede do Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, isso foi uma tarefa difícil. Por alguns minutos, ele se viu completamente cercado e chegou a tirar a pistola do coldre. "Tive de manter o controle para não atirar contra os manifestantes, que eram milhares. Foi questão de segundos, surgiram mais de mil pessoas. "Quando eu tentava impedir uma pichação, levei várias pedradas na cabeça, fiquei zonzo e caí", conta, com o colete manchado de sangue.

Fogo e fumaça também atingiram alguns policiais. "Colocaram fogo em lixo e a fumaça tóxica estava muito forte", lembra a soldado Josiane de Souza Testa, de 26 anos. "Comecei a passar mal, como se fosse desmaiar, e depois vomitei muito", conta.

Josiane também é estudante, pega quatro ônibus por dia e entende a causa do protesto. "Todos usamos transporte público. Desde que não usem a violência, todos podem se manifestar. Mas houve gente que se aproveitou para agredir."

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