Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Manifestantes só divulgarão trajeto de passeata após concentração no Largo da Batata

Esse foi o acordo fechado nesta manhã com a Secretaria de Segurança; segundo secretário, balas de borracha não serão usadas

Luciano Bottini Filho , O Estado de S. Paulo

17 Junho 2013 | 14h09

SÃO PAULO - O trajeto do próximo ato do Movimento Passe Livre (MPL) nesta segunda-feira, 17, só será decidido na concentração dos manifestantes no Largo da Batata, às 17h. Após uma reunião dos ativistas com o secretário de Segurança, Fernando Grella Vieira, ficou acordado que a PM respeitaria o percurso definido pelo movimento, sem garantia que grandes vias, como a Avenida Paulista, não sejam invadidas. “Isso é uma decisão política, cabe aos manifestantes decidir onde irão se manifestar. A gente vai acompanhar o comando-geral da polícia durante o trajeto e impedir que haja repressão policial”, diz o estudante Matheus Plais, que participou das negociações.

Pelo acordo feito com a Secretaria de Segurança na manhã desta segunda, os ativistas vão informar à PM qual será o caminho da passeata depois de deliberarem entre os próprios integrantes do movimento no Largo da Batata. Oficiais vão acompanhar as lideranças do MPL para evitar distúrbios e ações de vândalos.

“Espero que o secretário cumpra o seu acordo de não agredir”, disse Mayara Vivian, uma das militantes presentes na Secretaria de Segurança nesta manhã. “Acho triste, em um País que se diz democrático, que quem nos receba é o secretário de Segurança Pública e não o de Transportes. Nosso objetivo é revogar as tarifas, o que a gente está pedindo é uma revogação do aumento”.

Em uma entrevista coletiva nesta segunda, Grella confirmou que a tropa de choque estará apenas “à disposição” como de costume e não haverá uma predisposição para o confronto. Ele garantiu que balas de borracha não serão usadas, mas gás de pimenta e bombas de efeito moral não estão descartados, dentro do uso escalonado de forças de contenção em distúrbios civis. “O trajeto só será divulgado apenas na saída do movimento”, afirmou Grella. “O movimento aceitou a disponibilização pela Polícia Militar da presença e do acompanhamento de oficiais com rádio para acompanhar as lideranças e ir monitorando o encaminhamento dos trabalhos”.

Grella disse que a manifestação será pacífica e que toda a intervenção policial será localizada em cada ato de vandalismo. A ordem é não usar a dispersão geral de ativistas durante alguma ocorrência - apenas os envolvidos em atos de violência serão reprimidos. 

O secretário declarou que os abusos verificados por ambas a partes começaram a ser apurados. Os PMs flagrados agindo de forma violenta em fotos e vídeos, como o soldado que bateu em um vidro de uma viatura, já são alvo de processos na Corregedoria da PM. Segundo Grella, esse policial alega que removia um vidro de uma janela que já estava quebrada.

Ministério Público - O promotor de Habitação e Urbanismo, Maurício Antonio Ribeiro Lopes, disse que o Ministério Público quer “descobrir todo o sistema remuneratório da rede de transporte coletivo da cidade de São Paulo”. “Se não é uma caixa-preta, é muito perto disso”, afirmou na saída da reunião. Segundo o promotor, o MP vai requisitar ao município nesta segunda as planilhas de cálculo das tarifas e os estudos completos sobre os reajustes nos últimos anos.

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