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Mais uma vítima das chuvas é encontrada; mortes chegam a 25

Idosa de 73 anos, moradora de Mairiporã, estava desaparecida; quatro corpos foram resgatados no mesmo local no domingo

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Luiz Fernando Toledo,
O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 08h03

SÃO PAULO - O Corpo de Bombeiros encontrou na madrugada desta segunda-feira, 14, o corpo da última vítima do forte temporal que caiu no Estado de São Paulo entre a noite de quinta-feira, 10, e a madrugada de sexta-feira, 11. A aposentada Severina Lima, de 73 anos, estava soterrada em Mairiporã, na Grande São Paulo, nos escombros da mesma casa onde mais nove pessoas morreram. As buscas por corpos na tragédia, que deixou 25 pessoas mortas, foram encerradas.

O açougueiro Cristiano França de Lima, de 35 anos, visitou o imóvel onde o corpo da mãe foi encontrada pela manhã. Juntava o resto dos pertences espalhados pelo terreno em uma sacola de lixo preta. A liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML) só aconteceria à noite. Enquanto isso,  tentava ocupar a cabeça.

Da família de 10 pessoas ficaram apenas ele, sua irmã Cristiane, de 37 anos, e a enteada Natália, de 17. Moravam há três meses no local, que serviria apenas de abrigo temporário. O objetivo era que se mudassem para o Jardim Brilha, ali perto, em um imóvel de dois cômodos comprado por Lima. Evitaram a transição naquela quinta justamente por causa da chuva.

Agora o açougueiro, que veio de Guarulhos em busca de uma vida melhor para sua família, já admite que não conseguirá mais se mudar por causa das lembranças. “Não dá para voltar para esse lugar e não se lembrar de tudo”. No acidente, morreram também os filhos Lara, de 12 anos, Alisson, de 17, Ysac, de 11 meses, a sobrinha Beatriz, de 4 anos, a mulher Paloma, de 36, e os pais Severino, de 72, e Severina, de 73.

Mas Lima, que também estava na casa, ficou apenas com arranhões. “Eu não sei por que eu estou vivo. Levaram todos. Meus filhinhos, minha esposa, todo mundo”, disse.  A irmã e a enteada tiveram ossos quebrados e seguem internadas no hospital municipal de Mairiporã, mas o quadro é estável.

O acidente teve início por volta das 21h de quinta, mas o socorro do Corpo de Bombeiros só viria por volta das 2h, segundo os moradores. Até lá o jeito era tentar esperar a ajuda de voluntários. “Tinha umas 12 pessoas ajudando, tirando pedra com a mão mesmo”, contou o motorista Douglas Silva, de 36 anos, que mora ao lado do local do acidente. “Me lembro com horror de ouvir as crianças gritando e não poder fazer nada”, disse a vizinha Helena Martins Barbosa, de 65 anos.

A mobilização para ajudar o que restou da família Lima permaneceu no dia seguinte. Cristiano, sua irmã e enteada foram levados para uma chácara custeada pela Assembleia de Deus, igreja que frequentam, onde ficarão até que encontrem outro lugar para morar. Estão em busca de doações de roupas e comida. Naquela sacola preta não havia alimentos nem roupas que pudessem ser usadas. Só um par de sandálias da esposa e outros objetos de recordação.

Outras vítimas. A família de Cristiano não foi a única atingida na tragédia. Morreram também Fabiana Moraes da Costa, de 30 anos, Ana Luísa Moraes da Silva, de 6 anos, e Ana Laura Moraes da Silva, de 10 meses, todos moradores de um cômodo alugado no primeiro andar do mesmo imóvel. O marido de Fabiana sobreviveu, mas não foi encontrado pela reportagem.

Outro corpo foi encontrado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, mas os bombeiros afirmaram que é necessário perícia para saber se a pessoa foi vítima da chuva ou da violência. Segundo a corporação, havia indícios de agressão por arma de fogo.