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Mais dois são presos por abuso contra mulheres na Estação Sé do Metrô

Caio do Valle, Felipe Tau e Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo

19 Março 2014 | 11h 59

Um dos suspeitos filmava partes íntimas das vítimas e o outro molestava passageiras

Atualizado às 14h14.

SÃO PAULO - Dois homens foram presos na manhã desta quarta-feira, 19, por práticas de atos obscenos contra mulheres na Estação Sé do Metrô de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, um deles filmava com a câmera de um celular as partes íntimas de mulheres e o outro se aproximou por trás e pressionou a genitália da vítima. Os dois foram enquadrados por importunação ofensiva ao pudor, um crime considerado de menor potencial ofensivo, e devem ser liberados ainda hoje.

De acordo com o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur), à qual se subordina a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), um dos dois acusados é o técnico em informática Bruno Perroni, de 24 anos. Segundo a polícia, seria ele quem filmava, por baixo, as mulheres no Metrô. Em seu celular, os policiais encontraram a filmagem das coxas de outra mulher, também feita no Metrô.

Na carceragem da Delpom, na Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, Perroni disse que fez as gravações porque tem um "distúrbio na cabeça". A suspeita da polícia é de que o vídeo depois fosse enviado para a internet, onde proliferam fóruns de discussão e páginas no Facebook incitando esse tipo de crime.

A vítima da ação, a auxiliar administrativa C.S., de 25 anos, contou que subia a escada rolante quando o homem colocou o celular sob o seu vestido. "Só percebi que ele tinha me filmado porque os seguranças do Metrô me perguntaram se eu tinha visto que tinha sido filmada. Estou revoltada, porque meu vestido não é curto, mas mesmo se ele fosse curto, ele não tem o direito de me filmar. Tenho o direito de usar a roupa que eu quero sem ser filmada." Ela disse que processará o acusado por danos morais.

O outro suspeito é o engenheiro eletricista Eduardo do Nascimento, de 26 anos, que teria enfiado a mão por baixo das pernas da vendedora A.B., de 33 anos, enquanto os dois desembarcavam de um trem lotado na Sé. Ele nega a acusação. "Ele depois, puxou a mão e depois apalpou. Por duas vezes. Isso é 'sem querer', como ele disse? Tenho certeza que não, que fez de propósito", afirmou a vítima. "Na primeira vez, olhei para trás, para ter certeza, e ele deu um sorrizinho sarcástico. Quando voltei a olhar para a frente, ele novamente passou a mão em mim. Esperei descer do trem e comecei a gritar e falar para todo o mundo o que ele tinha feito. Ele subiu a escada rolante falando que eu estava louca. No que ele passou as catracas, passei a gritar para os seguranças. Senti muito nojo."

O delegado Nico disse que em casos de violência assim, a mulher deve chamar a atenção dos outros passageiros e de seguranças, para se defender e poder fazer com que o agressor seja detido. "O nosso maior problema é a falta de gente que nos ajude a prender essas pessoas, porque se o cara passa a mão e as mulheres vão deixando para lá, não denunciam, esse tipo de caso vai aumentando. Veja o exemplo das redes sociais."

Os dois homens assinarão um termo circunstanciado e responderão ao crime em liberdade. De acordo com a Polícia Civil, a ocorrência envolvendo a vendedora não poderia ser enquadrada como estupro.

Recorrência. Não é o primeiro caso envolvendo assédio sexual no sistema metroviário paulistano nesta semana. Na tarde de segunda-feira, 17, o universitário Adilton Aquino dos Santos, de 24 anos, foi enquadrado por estupro depois de molestar uma passageira que viajava em um trem da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A mulher teve o braço segurado pelo acusado, que tentou ainda arrancar a calça da vítima. Outros passageiros do trem espancaram o acusado. As agressões só pararam quando seguranças interferiram. Ao Estado, o jovem confessou o ataque. "Infelizmente, foi um fato. Estava muito apertado (no trem) e eu não aguentei."

Ocorrências. Com o caso desta quarta-feira, 19, chega a 17 o número de ocorrências semelhantes registrados neste ano pela Delpom. O episódio envolvendo Adilton Aquino foi o único registrado como estupro - os demais aparecem como importunação ofensiva.

Investigações. A Delpom, responsável por investigações de crimes no Metrô e nos trens da Grande São Paulo, está rastreando as identidades eletrônicas - IPs - dos computadores de pessoas que administram sites de incentivo ao assédio sexual no transporte público. Recentemente, páginas como "Encoxadores", no Facebook, com mais de 12 mil seguidores, vêm atraindo a atenção da polícia, que pretende identificar e prender os responsáveis por criar os sites ou publicar neles relatos pessoais de abuso de mulheres.

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