Mais de 2 milhões festejam a virada na Avenida Paulista

Contagem regressiva foi feita por Michel Teló; evento foi pacífico e teve poucas ocorrências policiais

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2015 | 08h49

Com mais de 2 milhões de pessoas, a Avenida Paulista teve uma virada de ano pacífica, animada e com apenas três ocorrências policiais, segundo a Polícia Militar, até a 1h desta quinta-feira, 1°. Sem chuva e com o clima quente, a queima de fogos pode ser vista de qualquer parte dos 3 quilômetros de avenida completamente tomada por pessoas de diversas partes da cidade, do país e do mundo. 

As apresentações começaram por volta das 20h com a banda de rock Gin. Depois, cantores do The Voice Brasil, da Rede Globo, revessaram o palco até a entrada do grupo de pagode Art Popular e do cantor sertanejo Michel Teló. "Foi incrível. Nunca cantei para tanta gente assim", afirmou o artista após o show. Foi ele quem comandou a contagem regressiva que antecedeu os 15 minutos de fogos. 

Havia praticamente todo tipo de gente na Paulista para celebrar o novo ano. Dois artistas de rua vestidos com fantasias de personagens de filme de terror tiravam fotos com crianças e adultos e troca de moedas notas de R$ 2. "Mais diverte do que assusta. Esse ano foi muito importante para mim porque pela primeira vez consegui me sustentar só com as apresentações de rua", disse Leandro Bueno, de 32 anos, que se apresenta usando a roupa do Jason do filme Sexta-Feira 13. Enquanto ele conversava com a reportagem, o amigo fantasiado de Freddy Krueger, do filme A Hora do Pesadelo, tirou pelo menos 20 fotos.  

“Está tão assustador quanto o 7 x 1 contra a Alemanha”, lembrou o pedreiro Paulo Aparecido Rocha, de 26 anos. Apesar do placar elástico e improvável que eliminou o Brasil da Copa do Mundo de 2014, ela acredita que o ano passado foi marcado pelas Eleições. “Foi uma disputa muito acirrada. Acho que o brasileiro aprendeu muito com a política nesse ano que passou”, afirmou.

Outras pessoas foram para Paulista para deixar os problemas do ano passado para trás. É o caso da recepcionista Polyana Cardoso Palma Tavares, de 29 anos. Em 2014 a mãe dela se recuperou de um câncer de mama. "Teve esse problema mas também teve outras coisas boas. Minha família está toda junta este ano", disse a catarinense que se mudou do Rio de Janeiro para São Paulo em 2013 e passou seu segundo Révellion na capital paulista. "É divertido passar no meio de toda essa gente e ver essa queima de fogos maravilhosa", contou.

Sem habilitação. Três amigos de Campinas, do interior de São Paulo, que poderiam ter passado a festa da virada na areia de Copacabana, no Rio, sem pagar hospedagem porque têm amigos na cidade vizinha, trocaram um dos pontos mais badalados do mundo pela avenida mais conhecida do Brasil. "Vamos fazer um bate e volta mas ainda não decidimos quem vai ter que ficar sem beber para pode dirigir", disse o fonoaudiólogo Bruno Oliveira, de 25 anos. 

A meta dele para 2015 é justamente tirar uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Isso porque, dos três amigos, ele é o único que não bebe. "Mas também não dirige e acaba não ajudando muita coisa", brincou o produtor musical Paulo Lima, de 25 anos. Tanto ele quanto o amigo que não sabe dirigir estão estreando na Virada da Paulista. "Eu que convenci os dois. Vim no ano passado e adorei. Apesar de não gostar muito do estilo da música, acabo aproveitando a festa", disse a cantora Jéssica Rossi, também de 25 anos.

Na rede. Teve também gente que conseguiu descansar e trabalhar muito ao mesmo tempo. Foi o caso do operador de áudio Reinaldo Gonçalves, de 33 anos, que trabalhou no evento em uma das torres de caixas de som da festa, na altura do Masp. Ele seria mais um trabalhador entre os milhares que estavam na região se não fosse a posição inusitada em que exercia sua função: deitado em uma rede que comprou em Fortaleza, no Ceará, há cinco anos. A cama improvisada foi montada sob a estrutura.

"Rapaz, na verdade eu consigo fazer um monte de coisa deitado aqui. Controlo o som, vejo os shows e descanso para o restante da jornada de trabalho", contou Gonçalves, que trabalhou até está manhã. "Até lá eu vou ter que descer daqui várias vezes para mexer na aparelhagem", afirmou. Morador do Jaguaré, na zona oeste, ele diz que em 2015 quer "mudar o status no Facebook". Separado e solteiro, ele disse que quer arrumar uma companheira.

Tranquilidade. Para o coronel Celso Luiz Pinheiro, comandante do policiamento na região o evento, com a quantidade de pessoas registradas pela PM, "foi um sucesso total". Até o início da madrugada três pessoas tinham sido levadas para o 78° DP (Jardins). Os suspeitos tinham sido detidos por furto, tráfico de drogas e desacato. Todas as pessoas foram revistadas antes de entrar nas áreas da festa e havia mais de 3 mil agentes de segurança, entre PMs, seguranças particulares e bombeiros.

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