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Mãe reconhece que jovem gay achado morto em SP cometeu suicídio

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2014 | 15h 16

Inicialmente família de Kaique, de 17 anos, acreditava em crime de homofobia; jovem deixou despedida em diário

Atualizado às 18h19.

SÃO PAULO - A mãe de Kaique Augusto Batista dos Santos, jovem homossexual que foi achado morto em um viaduto da região central de São Paulo há dez dias, reconheceu nesta terça feira, 21, que o filho se suicidou. A hipótese, segundo ela, foi reforçada pelas investigações da polícia e pelas mensagens de despedida encontradas no diário apreendido na casa do rapaz de 17 anos. Inicialmente, a família falava em crime com motivação homofóbica.

"Foi um choque. Ele não apresentava sinais de depressão", afirmou a cabeleireira Isabel Cristina Batista. As anotações do adolescente indicam que ele havia passado por uma decepção amorosa. Havia ainda mensagens de despedida para a família.

De acordo com Isabel, o filho era um menino alegre e morava com outra família para ficar mais próximo da escola e do trabalho. A mãe também disse que sempre aceitou o fato de que Kaique era homossexual. "Estávamos combinando até uma festa surpresa para o irmão dele", contou. A cabeleireira chegou a pedir desculpas à polícia e à imprensa se deu a entender em algum momento que as investigações estavam equivocadas.

O corpo de Kaique foi encontrado desfigurado pela PM na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho. Para a polícia, os machucados no garoto foram causados pela queda e pelo tempo que o cadáver ficou fora do refrigerador no Instituto Médico-Legal (IML). Um protesto pela apuração da morte reuniu dezenas de pessoas na sexta-feira, 17, no Largo do Arouche, região central.

Investigação. As informações preliminares dos peritos também indicam que o jovem se atirou do viaduto, após sair de uma casa noturna onde estava com amigos. A polícia acredita que a perfuração na perna do rapaz não foi causada por uma barra de ferro, como foi cogitado pela família, mas por uma fratura exposta  no fêmur, resultado da queda do viaduto. O laudo final da perícia deve ser liberado em aproximadamente 20 dias. A investigação é conduzida pelo 3º Distrito Policial (Campos Elísios).

Câmeras de segurança de um prédio próximo ao local onde foi achado o corpo indicam que Kaique Batista dos Santos passou sozinho pela rua por volta das 4 horas da madrugada. Nessa segunda-feira, 20, o porteiro do edifício depôs à Polícia Civil e confirmou a informação. Segundo ele, o jovem estava desacompanhado e apresentava claros sinais de embriaguez.

A Polícia Civil também pretende ouvir o dono da casa noturna onde estava o garoto. O objetivo é apurar porque o rapaz, que era menor de idade, conseguiu entrar no local e consumir bebida alcóolica.