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Mãe pressionou filha para matar padrasto em São Carlos, diz polícia

Mensagens no WhatsApp mostram que as duas planejaram a morte de professor por causa do excesso de gastos em reforma de casa

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2016 | 13h29

SOROCABA - Mensagens do aplicativo WhatsApp recuperadas pela Polícia Civil nos celulares das envolvidas mostram que a advogada Milene Estácio da Silva, de 36 anos, pressionou a filha de 17 para assassinar o padrasto, o professor universitário Milton Taidi Sonoda, de 39, em São Carlos, no interior de São Paulo.

"Leve a faca para afiar, leve umas três. A partir de amanhã acabou tudo. Leve o negócio pra afiar", mandou a mãe, em uma das conversas. O conteúdo das mensagens foi divulgado nesta sexta-feira, 3.

Sonoda foi morto pela enteada no dia 18 de maio com três facadas no abdome. Ele foi dopado com sedativos antes do crime. A adolescente assumiu a autoria do crime, e a mãe alega que apenas ajudou a filha a se livrar do corpo. As conversas comprovam que a morte foi planejada pelas duas por motivo financeiro. Sonoda estaria gastando as economias da família na reforma de uma casa, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, para onde se mudariam.

O professor tinha mestrado em Física pela Universidade de São Paulo (USP) e acabara de assumir aulas na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). "O Milton saiu com R$ 700, o último suspiro que eu tinha. Ele não pode viajar amanhã, porque senão nossos planos terão que ser adiados. As contas estão bombando na minha cabeça, enquanto isso o Milton só pensa em gastar R$ 1,6 mil de mármore", disse a mulher em mensagem para a filha. "Como o Milton é chato! Mas tudo isso vai acabar amanhã! Amanhã mesmo!", respondeu a jovem. A mãe assentiu: "Tomara! Tô de saco cheio!"

As conversas, recuperadas com autorização judicial, mostram que mãe e filha planejavam o crime havia dois meses, segundo a Polícia Civil. A filha chega a dizer à mãe que tinha marcado manicure para fazer as unhas. "Já que a gente vai ter enterro."

A advogada deixou claro que a filha, menor de idade, tem de assumir o crime sozinha. "Se acontecer da polícia chegar até você, não tenha medo. Mas não põe eu no meio. Eu pegaria mais de 30 anos de cadeia."

Em outra ocasião, as conversas sugerem que mãe e filha pretendiam receber alguma pensão pela morte de Sonoda. "Tem que dar entrada no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) logo. Para não passar necessidade, porque vamos ficar sem dinheiro", escreveu Milene. "Nem caixão ainda", respondeu a filha, ao que a mãe acrescenta: "Mas vai dar tudo certo! Deus tem um lugarzinho bom pra ele!"

O professor foi morto no dia em que saiu de casa para contratar o transporte da mudança. Além dele, a adolescente dopou também o irmão de 5 anos para que não testemunhasse o crime.

O corpo da vítima foi embalado com plástico e fita crepe, colocado no carro e levado para a Rodovia Luís Augusto de Oliveira (SP-215), onde mãe e filha pretendiam enterrá-lo - antes elas haviam comprado uma pá. As duas chegaram a cavar o buraco, mas ao verem que o sangue havia vazado no carro, decidiram queimar o veículo com o corpo dentro. O Corpo de Bombeiros encontrou o carro em chamas.

Um dia antes de ser presa, a viúva postou um vídeo na página do marido com o filho em rede social homenageando-o, junto com a frase: "Luto...saudades eternas".

Familiares da vítima que residem em Itapetininga, onde o corpo foi sepultado, contaram que o professor conheceu Milene em uma sala de bate-papo, na internet, há cerca de oito anos. Os dois namoraram e decidiram se casar, mas não havia nada de suspeito no relacionamento.

Milene está em prisão temporária desde segunda-feira, 31. A filha também está detida e foi levada, nesta sexta-feira, a uma unidade da Fundação Casa na cidade de Cerqueira Cesar. O advogado constituído por Milene informou que, por ora, não vai se manifestar.

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