Mãe lamenta ter tirado filho de casa

Enterro

Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2010 | 00h00

Cem pessoas estiveram ontem no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, centro do Rio, para o enterro de Marcus Vinicius Vieira de França da Mata, de 8 anos, que permaneceu cerca de 12 horas com vida debaixo dos escombros da casa onde estava, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na terça-feira pela manhã. Como o resgate só foi concluído na manhã de quarta-feira, por ter voltado a chover forte na noite anterior, o menino foi encontrado sem vida.

No enterro, emocionada, a mãe Rosilene lembrava os últimos momentos em que esteve com o filho único. "Eu o tirei de dentro da minha casa porque o muro caiu. Mandei para a casa da minha prima para ele ficar seguro. Não deu 30 minutos e o barranco desabou sobre a casa e Deus o levou com as duas primas", dizia alto, como se estivesse se desculpando por levar o filho para o local onde morreu. Gelcilanda de Souza, de 44 anos, e Ana de Souza, de 32 anos, foram as duas primas de Rosilene que também perderam a vida no desabamento.

O pai de Marcus, Walmir França da Mata, que acompanhou todo o resgate do filho e recebeu o corpo do sargento bombeiro Luiz Carlos dos Anjos, quase não falou. Ele foi muito consolado por ex-colegas do Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria, onde trabalhou, e do Colégio Mopi, na Barra da Tijuca, onde atua como gerente. Um dos poucos comentários que fez foi confirmar que a casa da Rua Gomes Lopes, em que estava o filho, era regularizada, registrada na prefeitura e com cadastro do IPTU.

No mesmo cemitério foram enterradas logo em seguida as irmãs Emília, de 14 anos, e Yasnaia Lopes, de 19, também moradoras do Morro dos Prazeres, na mesma Rua Gomes Lopes. Elas estavam dormindo quando houve a queda do barranco que atingiu a casa. A mãe das duas, Gildânia, tinha saído à procura da irmã para que buscassem um lugar seguro. Tão logo saiu, viu a casa desabar, sem que tivesse a oportunidade de salvar as filhas.

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