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Mãe confessa ter matado filho a facadas; parentes falam em homofobia

Segundo a polícia, padrasto do rapaz de 17 anos também participou do crime e ajudou mulher a queimar corpo; ela alega legítima defesa durante briga

Rene Moreira, Especial para o Estado

12 Janeiro 2017 | 11h58
Atualizado 12 Janeiro 2017 | 18h15

A Polícia Civil de Cravinhos (SP) prendeu nesta quarta-feira, 11, um casal suspeito de ter matado o filho de 17 anos. Itaberlly Lozano foi morto a facadas e teve seu corpo queimado em um canavial na zona rural da cidade.

A morte teria ocorrido no dia 29 de dezembro, mas o corpo da vítima foi localizado somente no último sábado, 7. O desaparecimento foi relatado na semana passada pela avó do rapaz e ele foi reconhecido graças a uma pulseira que estava ao lado do corpo carbonizado.

A mãe do jovem, Tatiana Lozano, de 32 anos, que é gerente de um supermercado, confessou o crime e disse ter matado o filho a facadas durante uma briga. Isso porque ele teria ameaçado a família e estaria usando drogas. Já familiares disseram à polícia acreditar que o crime tenha motivação homofóbica - a vítima era gay. 

Após a morte, o marido dela e padrasto do rapaz, Alex Pereira, de 30 anos, teria levado o corpo para o canavial ao lado da Rodovia José Fregonesi e queimado. Segundo a mulher, o marido e o filho do casal - um menino de 4 anos -  não teriam presenciado a morte.

Para a polícia, no entanto, o casal teria participado junto do crime e, por isso, os dois foram autuados por homicídio duplamente qualificado, com agravantes, e ocultação de cadáver. Duas facas foram apreendidas. Os acusados e a vítima não tinham passagem pela polícia.

O advogado do casal, Fabiano Ravagnani Júnior, disse que pedirá a liberdade dos clientes. A alegação é de que a mãe agiu em legítima defesa e sob forte emoção. Já o padrasto estaria dormindo e não teria presenciado o crime.

Investigação. Nesta quinta-feira, 12, peritos estiveram na casa para tentar colher mais informações sobre o assassinato. Também o carro do padrasto, usado para transportar o corpo, está sendo examinado. 

O objetivo é verificar se a versão dos envolvidos bate com o que aconteceu. Em seu depoimento, a mãe negou que a homossexualidade do filho fosse o motivo do crime, mas confirmou que não gostava que ele levasse rapazes para casa. 

No dia da morte, os dois teriam discutido no quarto do rapaz até que partiram para a agressão, ocasião em que ela pegou uma faca que tinha deixado atrás da porta e o atingiu três vezes no pescoço.

"Não aguentava mais ele", falou Tatiana em depoimento. Ela disse ainda que o filho usava cocaína, mas esta informação foi desmentida por parentes e amigos. O padrasto também afirmou à polícia desconhecer isso, pois apenas teria visto o rapaz fumando maconha uma vez.

Repercussão. "Família em primeiro lugar", comentou nas redes sociais o jovem Itaberlly Lozano sobre as fotos que postou ao lado da mãe, do padrasto e do irmão. As imagens são do último Natal, dias antes de ele ser assassinado. 

Sua morte causou comoção na cidade. "Tem um lugar reservado para esse tipo de alma, a alma de uma mãe assassina", comentou Vagner de Souza. Já Gelma Marinho reclamou da violência. "Quanta intolerância, que esse moço esteja nos braços de Deus".

Outra moradora de Cravinhos, Jéssica Oliveira, demonstrou indignação. "Essa mulher que diz ser mãe não deveria nem ser chamada desse santo nome. Mãe pelo o que eu sei cuida, protege, ajuda... Por mais que tenhamos defeitos, ela nos ajuda sempre".

 

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