Mãe confessa ter matado as duas filhas e é presa na Grande SP

Um bebê de cinco meses e uma menina de cinco anos foram encontradas mortas dentro de casa em Itaquaquecetuba

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 15h14

Atualizada às 19h40

SÃO PAULO - A auxiliar de enfermagem Patrícia de Jesus Silva, de 33 anos, foi presa em flagrante nesta sexta-feira, 5, após matar por asfixia suas duas filhas, um bebê de 5 meses e uma menina de 5 anos, dentro da casa onde morava em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. O crime aconteceu na manhã de quinta-feira, por volta das 8h, segundo afirma a Polícia Civil. Ela teria confessado os assassinatos e também tentou cometer suicídio ao menos três vezes.

Os corpos das duas meninas foram encontrados pelos vizinhos por volta das 15h30 de quinta, após arrombarem o portão da casa. Cerca de meia hora antes, Patrícia havia ligado pela última vez para familiares, afirma a Polícia Civil. Pelo telefone, ela teria comunicado que estava perdida no município vizinho de Guarulhos, também na Grande São Paulo, e que havia deixado as duas crianças sozinhas em casa. O pai das meninas estava no trabalho.

Chamados pelos vizinhos, os policiais militares foram até o local, na Rua Fernandes Prestes, no bairro Parque Residencial Scaffid II, e constataram que as crianças tinham marcas de estrangulamento no pescoço, mas não havia sinais de arrombamento na casa. Também foram encontradas uma camisola perfurada e uma faca, ambas sujas de sangue.

"Como a mãe deixou as crianças sozinhas e desapareceu, por parte de todos houve a suspeita de que ela poderia ser a autora dos crimes", afirmou o delegado Marcos Batalha, titular da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal de Mogi das Cruzes.

Segundo o investigador Caio Ewert, do 1º Distrito Policial (Jardim Caiubi) de Itaquaquecetuba, responsável pelo caso, Patrícia confessou ter assassinado as filhas no quarto, ainda pela manhã. Depois, os corpos foram levados pela mãe até a cozinha, onde ela pretendia inalar gás para morrer junto com as crianças. Como não conseguiu, a auxiliar de enfermagem esfaqueou a si mesma, na altura do estômago.

Após cometer o crime, Patrícia ainda trocou de roupa e foi de ônibus até Guarulhos. Em depoimento, familiares teriam afirmado que a auxiliar de enfermagem estava desempregada e vinha apresentando quadro depressivo, disse Batalha. "Uma das possibilidades é que ela sofra de depressão pós-parto."

Chamado para depor, o pai das crianças se mostrou perplexo, de acordo com o delegado seccional. "Ele não conseguia nem falar, estava em estado de choque", confirmou Ewert.

Prisão. Patrícia foi encontrada pelos policiais na manhã desta sexta, em Guarulhos, depois de tentar se atirar na frente de um táxi na Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Segundo o investigador, ela não apresentava marcas de escoriações após o atropelamento. No entanto, por causa do ferimento provocado pela facada, Patrícia foi levada para o Hospital Geral de Guarulhos, onde foi mantida sob escolta e passou por cirurgia.

Antes de entrar no centro cirúrgico, no início da tarde desta sexta, ela conversou rapidamente com policiais do 1º DP. Foi quando teria confessado o assassinato das duas filhas. Aos policiais,  também teria justificado que cometeu o crime por "não ter condições de criar as crianças".

Segundo a Polícia Civil, a  auxiliar de enfermagem será transferida para um centro de detenção assim que receber alta do hospital.

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