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Lula pede readmissão e fala em maturidade de sindicato e governo

Ricardo Galhardo e Tânia Monteiro - O Estado de São Paulo

10 Junho 2014 | 21h 33

Ex-presidente defende acordo para evitar transtornos na abertura. Gilberto Carvalho diz que greve é ‘calamitosa’

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira, 10, a readmissão dos 42 metroviários. Segundo ele, “não há interesse” em manter as demissões e tanto grevistas quanto o governo de São Paulo devem ter maturidade para chegar a um acordo e evitar transtornos na abertura da Copa do Mundo. Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, disse que greve dos metroviários em São Paulo é “calamitosa” e o governo federal espera que ela não seja retomada. 

“A dispensa pode ser revista se houver maturidade tanto dos trabalhadores quanto do governador para conversar. Muitas vezes as decisões tomadas de forma intempestiva em um momento mais grave, em um momento de exaltação, podem ser resolvidas daqui alguns dias. Pela minha experiência, penso que não há interesse nenhum do governador de deixar 42 trabalhadores fora”, disse Lula, nesta terça, depois de participar do Fórum Empresarial América Latina e Caribe organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Prefeitura de São Paulo.

Embora tenha defendido a readmissão dos grevistas, Lula cobrou responsabilidade dos metroviários. “Eles também tem de saber que existe limite para fazer as coisas. Então o direito democrático de um não pode impedir o direito democrático de outro”, afirmou.

Ele lembrou sua experiência pessoal para minimizar o impacto de uma paralisação na abertura do Mundial. “Fui dirigente sindical e em muitas greves que eu fiz trabalhadores foram dispensados. Depois a gente fez uma briga pela readmissão. Muitas vezes as decisões tomadas de forma intempestiva foram revistas”, disse o ex-presidente.

Para Lula, a paixão do povo brasileiro pelo futebol é maior do que a vontade de protestar de alguns setores contrários à Copa. “A greve é uma conquista democrática da sociedade. Os grevistas têm consciência do direito legítimo deles de fazer uma reivindicação. E não necessariamente tem de atrapalhar a vida das pessoas que querem ver o jogo da Copa do Mundo ou que querem trabalhar. A cabeça esportiva do povo brasileiro é maior do que a cabeça das pessoas que por ventura queiram contestar alguma coisa”, disse.

Entendimento. Já o ministro Gilberto Carvalho apelou para que “haja entendimento” entre o governo estadual e os metroviários para que a população não seja prejudicada. Ele avisou ainda que, caso ocorram protestos violentos, “as forças de segurança federal serão acionadas” para garantir o direito das pessoas. O ministro voltou a dizer que a maior preocupação do governo é com greves no Rio e São Paulo. “Isso pela dimensão que as coisas podem tomar.” 

As afirmações do ministro foram feitas na sede do Banco do Brasil, em Brasília, após participar da cerimônia de entrega de cisternas no semiárido de número 80 mil. Após o evento, Carvalho disse que não acredita que ocorram protestos violentos e ressaltou que “o Brasil está preparado para conviver com protestos pacíficos”. “Nós entendemos que, havendo manifestações pacíficas, nós não teremos problemas. Teremos problemas sim, se houver tentativas de manifestações violentas, que tentem impedir o direito de outras pessoas de celebrar um evento desta magnitude (a Copa). Aí, as forças de segurança terão de ser acionadas. Eu espero que isso não aconteça.” 

Para o ministro-chefe da Secretaria Geral, é preciso que se “deixe de lado o debate eleitoral e político em relação à Copa, e tiremos da Copa o proveito que ela nos traz”. Na opinião dele, “o momento é de se pensar na alegria, na celebração que a Copa pode proporcionar, nos empregos que ela trará e nas obras de infraestrutura que, atrasadas ou não, vão ficar para o povo brasileiro”.