Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Lojas de plantas valorizam tempo e prosa

Novidade é que os locais agora 'vendem' a ideia de um atendimento lento, amigável e familiar; comercialização das plantas também renasce associada a outros serviços, como café e até estúdio de tatuagem

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

18 Março 2018 | 03h00

Se depender do público na faixa dos 30 anos que tem procurado se reconectar à natureza dentro do próprio apartamento, cada bairro teria uma loja de plantas.

Por enquanto, as zonas oeste e central de São Paulo – principalmente Santa Cecília e Pinheiros – são as primeiras que têm visto surgir espaços para venda de plantas, e não somente de flores. A novidade é que os locais agora “vendem” a ideia de um atendimento lento, amigável e familiar. Além disso, a comercialização das plantas nasce associada a outros serviços, como café e até estúdio de tatuagem.

Um exemplo de loja de plantas e café é o Jardin do Centro, na Santa Cecília. Criado em 2015 só para a comercialização de plantas, a demanda para a instalação de um café surgiu de conversas com os clientes. 

A proprietária Ina Amorozo, de 31 anos, conta que a frase que mais se escuta no Jardin hoje é “Nossa, posso morar aqui?”. Segundo ela, as plantas remetem à memória afetiva e, portanto, o tempo dedicado à venda precisa ser diferenciado. “As pessoas vêm, falam da planta, da família, da avó, da infância. Planta tem uma carga emotiva muito grande. E escolhemos coisas simples, mas saborosas, para vender no café. É o café coado com leite e bolo. As pessoas se sentem acolhidas”, diz ela.

+++ Paulistano cria miniflorestas em apartamentos

O Jardin tem plantas que variam de suculentas (R$ 3) a cactos (R$ 215), mas as mais vendidas continuam sendo as mais fáceis de cuidar: espadinha-de-são jorge, jiboias e zamioculcas.

O sucesso da dobradinha foi tanto que Ina e o marido abriram um segundo café com loja de plantas, o Quintal do Centro, na Vila Buarque.

Extensão de casa

Há um ano, em Pinheiros, na zona oeste, três amigas se instalaram com a proposta de vender plantas e oferecer outros serviços. Na Botanista, espaço criado por uma ilustradora botânica, uma cozinheira e uma fitoterapeuta, são realizados encontros, cursos e happy hours.

“O espaço foi criado para ser um lugar gostoso, uma extensão das casas”, diz Elissa Rocabado, tatuadora especializada em botânica. 

Cada planta leva uma cartilha com orientações sobre frequência de rega e tipo de iluminação, além de adubo orgânico. “Demanda muito mais tempo. Não é a toque de caixa”, conta a tatuadora.

Mais conteúdo sobre:
Botânica Planta

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.