Linha Azul: grades de canteiro são retiradas

Moradores fizeram abaixo-assinado contra as cercas na Cruzeiro do Sul; subprefeitura e Metrô negam responsabilidade por reformar área

BÁRBARA FERREIRA SANTOS , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2013 | 02h04

Após protestos de moradores, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) retirou no último fim de semana as grades que haviam sido colocadas no canteiro central da Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte da cidade, embaixo do viaduto onde passa a Linha Azul. O resultado final, porém, está bem pior do que antes: a área está suja de lama e entulho e nem o Metrô nem a Prefeitura assumiram a responsabilidade por reformar o local.

A instalação das grades começou no fim do ano passado por iniciativa de comerciantes locais, que obtiveram autorização do Metrô. O objetivo era aumentar a segurança na avenida, mas a reação de moradores da região foi grande e chegou até ao presidente do Metrô e ao subprefeito de Santana. As obras acabaram paralisadas ainda em 2012, mas só agora as grades foram completamente retiradas.

Moradores reclamam agora que o local está degradado e pedem a instalação de um corredor verde, parecido com o canteiro central da Avenida Braz Leme, a poucos quilômetros dali. No entanto, subprefeitura e Metrô dizem que não são responsáveis pela revitalização da área.

No local onde estavam as grades, há muito lixo, restos de roupas e de alimentos. "Acumulava sujeira no local e agora, sem as grades, eles vão ver e ter de tirar o entulho. Mas, como a mureta pequena ainda continua, eu acho que ninguém vai fazer mais nada", afirma o comerciante Jorge Ifraim, do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades). Para ele, a criação de uma ciclovia vai estimular o uso do local pelos moradores. "O custo de uma ciclovia é barato, não precisa desapropriar nada e é só jogar terra, não precisa quebrar asfalto."

"Empurra-empurra". Esse projeto, porém, não tem previsão de sair do papel. Em nota, o Metrô afirma que as obras foram feitas por intermédio da subprefeitura local e que a companhia apenas ofereceu os gradis. "A obra não foi realizada pelo Metrô e, portanto, a companhia não responde por sua continuidade. Detalhes deste projeto ou de outras alternativas para a revitalização do local devem ser consultados na Subprefeitura de Santana", diz a empresa.

Já o atual subprefeito de Santana, Roberto José Pereira Cimino, diz que a área pertence à companhia. "Esta área é do Metrô. Que destinação eu vou dar para uma área que não é minha? Se estão jogando lixo em um lugar do Metrô, a meu ver quem tem de cuidar é o dono."

O subprefeito explica que para a ciclovia sair do papel, reuniões e análises de viabilidade terão de ser feitas. "Você pode desenhar o projeto que quiser, mas, na hora de arrumar o dinheiro, ninguém aparece. Para revitalizar a área, que é do Metrô, estou aguardando os moradores chegarem a um acordo sobre o que querem fazer ali. Esses recursos não viriam da subprefeitura, porque falta verba, mas podemos pensar em parcerias ou convênios."

Agora, o desafio de quem está acompanhando a questão é fazer com que Metrô e subprefeitura entrem em acordo para definir rapidamente o que fazer na área. "Acredito que logo vai haver um entendimento. As grades não ajudavam em nada a segurança, e a criação de uma área verde, com ciclovias, vai atrair mais gente para o local e, portanto, trazer mais segurança. Vamos conversar com os órgãos para tentar uma definição rápida", afirmou o vereador José Police Neto (PSD), que acompanha o processo.

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