Limpeza visual virou a marca da gestão Kassab

Bastidores: Diego Zanchetta e A.F.

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2011 | 03h01

Na manhã de 2 de janeiro de 2007, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e dois assessores saíram para acompanhar a primeira fiscalização da recém-criada Lei Cidade Limpa. Dois outdoors instalados ao lado do estádio do Palmeiras, na Rua Turiaçu, zona oeste, seriam removidos na ação. Havia total descrença na nova legislação municipal entre os poucos jornalistas que acompanhavam um prefeito ainda desconhecido naquele primeiro dia útil do ano. E a promessa de promover uma limpeza geral no visual da cidade virou motivo de piada já na primeira blitz, quando uma das placas, durante o processo de remoção, despencou sobre a fiação de energia e deixou metade da Pompeia sem luz.

O desastre ganhou destaque na mídia. Mas, nas semanas seguintes, com a Prefeitura ameaçando aplicar multas, a até então desacreditada Lei Cidade Limpa provocou um efeito dominó sem precedentes no comércio paulistano: dos grandes shoppings aos pequenos lojistas da periferia, quase todos mudaram suas fachadas.

A despoluição visual repentina causou um encantamento geral na população. Quem insistia em manter anúncios gigantes em suas fachadas passou a ser cobrado até por clientes. Todo tipo de comércio entrou na mira da lei. O tradicional "M" do Mc'Donalds foi rebaixado em todas as lanchonetes da rede, as laterais dos prédios ficaram limpas novamente, os muros foram pintados e até o Itaú, que manteve seu relógio no Conjunto Nacional por todos esses anos, anunciou que planeja retirá-lo em fevereiro de 2012.

A lei fez Kassab ficar conhecido entre os paulistanos. Antes apenas um vice apadrinhado por José Serra (PSDB) que carregava o peso de ter sido secretário de Celso Pitta, o prefeito ganhava a "marca de gestão" que precisava para deslanchar na vida pública. E conseguiu, batendo dois gigantes da política nas urnas em 2008: Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT).

Reeleito, Kassab prometeu que sua segunda gestão à frente da maior cidade do País teria novas marcas. A principal seria a transformação da região conhecida como cracolândia, no centro degradado, em uma área renovada, chamada de Nova Luz. Três anos depois, o projeto continua no papel. Kassab arrisca agora outro palpite. Diz que será conhecido pela transparência de seu governo. Mas tanto aliados quanto opositores têm outra opinião: a criação do PSD desbancou qualquer outra bandeira.

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