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Limite de uso do volume morto é incerto

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 03h 00

Ninguém sabe por quanto tempo as reservas vão abastecer cerca de 7,3 milhões de pessoas; nesta quinta-feira, nível do Cantareira estava em 8,2%

SÃO PAULO - A partir de domingo, cerca de 7,3 milhões de moradores da Grande São Paulo que ainda são abastecidos pelo Sistema Cantareira já começam a receber água do "volume morto" do manancial. Às 10h35 desta quinta-feira, 15, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) acionou as sete bombas instaladas na Represa Jacareí, em Joanópolis, a 100 quilômetros da capital, iniciando a captação da reserva profunda. Nem o tucano nem os técnicos da área garantiram, contudo, quanto tempo os 182 bilhões de litros adicionais devem durar.

"Nós passaremos o período da seca e chegaremos às próximas águas", resumiu Alckmin, que voltou a descartar racionamento generalizado. "O governo não está esperando São Pedro. Nós estamos trabalhando 24 horas com todo empenho, engenharia técnica, para garantir o abastecimento da população", completou.

Segundo estimativa feita pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, o próximo período chuvoso só deve registrar pluviometria dentro da média em dezembro.

Com obras que custaram R$ 80 milhões, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciou nesta quinta a retirada de 105 bilhões de litros represados abaixo do nível das comportas nas represas Jaguari-Jacareí, que respondem por cerca de 80% do Cantareira mas estavam com apenas 1,7% da capacidade. Entre agosto e setembro, a concessionária deve começar a captação de 77 bilhões de litros da reserva profunda da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. Com o acréscimo, o volume do Cantareira subirá 18,5 pontos porcentuais. Nesta quinta, o nível do sistema estava em 8,2%.

"(A duração do volume morto) Vai depender das obras que estamos fazendo, da continuação da boa vontade das pessoas e da situação meteorológica. Pode durar a vida inteira. Basta que volte a chover normalmente", disse o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce. Ele não quis estimar a vida útil do "volume morto". As projeções da Sabesp apontavam novembro como prazo final da reserva. Há duas semanas, o secretário disse que ela duraria até março de 2015.

Quanto à qualidade do "volume morto", questionada por ambientalistas e promotores por causa de uma possível contaminação por metais pesados no fundo das represas, Alckmin garantiu que a água é atestada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). "Ela é igual às demais águas. Não tem diferença", disse.

Redução. Segundo a Sabesp, desde a deflagração pública da crise de estiagem do Cantareira, em fevereiro, já houve uma redução de 27% do volume de água retirado do manancial para abastecer a Grande São Paulo. Neste mês, a produção está 8,8 mil litros por segundo menor. Segundo a companhia, essa diminuição equivale a um rodízio de 36 horas com água e 72 horas sem água.

De acordo com a Sabesp, 25% dessa queda se deve à "gestão operacional", como a redução da pressão da água na rede durante o período noturno, medida que diminui o índice de vazamentos nas tubulações, mas tem afetado inúmeras pessoas com corte no abastecimento.

Quase metade da redução (47%) deve-se ao remanejamento de água dos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga para bairros da capital que eram atendidos pela Cantareira, e 28% à economia da população por meio do programa de bônus. Nesta quinta, Alckmin disse que, em maio, 84% dos clientes da Sabesp já haviam reduzido o consumo.