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Líder de sem-teto sofre revés e não consegue sair como herói

Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo

28 Junho 2014 | 03h 00

Guilherme Boulos foi surpreendido ao constatar que contemplados com imóveis deverão estar na fila de cadastro da Prefeitura

SÃO PAULO - Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), capaz de mobilizar 7 mil pessoas em menos de 24 horas para parar a cidade, Guilherme Boulos, de 32 anos, sofreu um revés de última hora nesta sexta-feira, 27, em sua tentativa de se tornar o herói da ocupação Copa do Povo. Depois de colocar contra a parede as principais autoridades do País para conseguir moradias destinadas às 3 mil pessoas que ocupam o terreno, Boulos foi surpreendido ao constatar que os contemplados com imóveis do Minha Casa Minha Vida deverão estar na fila do cadastro habitacional da Prefeitura. 

Na prática, as moradias populares serão erguidas no terreno particular de Itaquera, mas não existe nenhuma garantia de que as famílias da ocupação serão as beneficiadas. Por orientação do Ministério Público Estadual, a Câmara Municipal e a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) não podiam fazer no texto do projeto do vereador Police Neto (PSD) um direcionamento das moradias para os filiados do MTST, sob o risco de ver a lei anulada pela Justiça a médio prazo.

No momento em que percebeu a falta de garantia para as famílias da ocupação, na tarde desta sexta-feira, Boulos ficou visivelmente transtornado. O líder dos sem-teto chegou a bater boca de forma ríspida com o líder da bancada do PT e com outros parlamentares no meio da audiência pública para discutir as mudanças. “Isso aqui não resolve nada para nós”, disparou o coordenador do MTST. Em seguida, os vereadores aceitaram ceder e incluir uma emenda que permite a viabilização das moradias via parceria entre o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e entidades de moradia paulistas.

Mas, apesar de aceitar a mudança, Boulos não poderá garantir às famílias que estão no terreno que serão elas as futuras moradoras da área. Nem garantir que será o MTST que vai construir e gerenciar os futuros conjuntos. “É errado fazer qualquer direcionamento. Não podemos juridicamente fazer isso. O MP tá de olho grande em cima de nós”, disse Alfredinho (PT).

Agora restará a Boulos tentar manobras junto ao governo federal e na Prefeitura para tentar colocar o MTST como parceiro do Minha Casa Minha Vida na construção dos 2.800 apartamentos previstos para o terreno da Copa do Povo. 

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