Líder da Rocinha preso após vídeo mostrar negociação com Nem

William de Oliveira aparece vendendo fuzil ao ex-chefe do tráfico da favela; ele se diz vítima de armação

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2011 | 03h02

O mais conhecido líder comunitário da favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, William de Oliveira foi preso ontem acusado de vender um fuzil AK-74 para o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem. A suposta negociação foi gravada em vídeo e entregue à polícia, que prendeu William por associação para o tráfico e porte ilegal de arma.

No vídeo sem áudio, gravado na quadra de esportes da localidade conhecida como Cachopa, William está sentado à mesa com Nem e Alexandre Leopoldino Pereira da Silva, o Perninha, também líder comunitário da Rocinha e auxiliar administrativo da Casa Civil do governo do Estado do Rio, que segura e manuseia o fuzil. Os dois recebem e contam o dinheiro do traficante. Todos parecem relaxados. Além do fuzil, uma garrafa de uísque e latas de energético estão em cima da mesa. O armamento é considerado a versão moderna do AK-47.

O vídeo é gravado a curta distância, mas apenas Nem poderia ver o operador da câmera. William disse que foi vítima de armação do traficante, que teria ameaçado divulgar a gravação se fosse preso. Ele disse que devolveu o dinheiro de Nem no mesmo dia. Lotado como assessor no gabinete da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) com salário de R$ 4.647,54 mil, William foi exonerado ontem.

"As imagens são fortes e a sociedade tem o direito de se indignar, mas a versão de William merecer ser investigada. Ninguém filmaria o Nem cercado por homens armados, a poucos metros de distância, sem autorização do traficante", disse a vereadora. Em 2005, William foi preso acusado de associação para o tráfico. Ele foi flagrado em escutas telefônicas orientando o então chefe do tráfico Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, mas foi absolvido.

Celebridades. William foi preso e algemado na frente da mulher e dos dois filhos. Ele integrava os Comitês do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da Rocinha.

William costumava ciceronear celebridades e políticos na favela. A função rendeu um portfólio com fotos ao lado da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula, dos governadores do Rio, Sérgio Cabral, e de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do ex-tenista Gustavo Kuerten.

O governo do Estado informou que Alexandre Leopoldino foi contratado por indicação de seu chefe, o supervisor de manutenção Ronald de Jesus Cardoso. Os dois foram exonerados ontem. Perninha se entregou à polícia.

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