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Letras de samba-enredo têm fórmula pronta

- Atualizado: 05 Fevereiro 2016 | 08h 29

Amor, vida, sonho e magia são palavras que aparecem com frequência; vocabulário de escolas de samba pouco mudou

Nuvem. Palavras simples facilitam rimas dos sambas

Nuvem. Palavras simples facilitam rimas dos sambas

Vem, vou, vai. Carnaval. Amor. Vida. Coração. Sonho, magia. Essas são as palavras que mais aparecem nas letras de samba-enredo do carnaval de São Paulo, considerando as 14 agremiações do Grupo Especial, neste ano. E, veja só, nas letras de 2015 também. 

A visualização dessa informação fica clara quando todas as letras são transformadas em uma nuvem de tags, como a que ilustra esta página. Para especialistas, essa pobreza vocabular tem dupla função: facilitar a comunicação popular e, ao repetir o que “já deu certo”, tentar obter boas notas dos jurados. 

“Não à toa, esses jargões próprios do carnaval são utilizados, com sarcasmo e ironia, por programas humorísticos”, comenta o músico Alberto Tsuyoshi Ikeda, professor de Etnomusicologia e Cultura Popular do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que desenvolve pesquisas sobre o carnaval há mais de 30 anos.

“De alguma forma, isso mostra não só a concentração na temática, o que seria natural, mas também nas palavras que são simples e facilitam as rimas, como amor e coração.”

A analogia, segundo o professor, é a mesma do “amor de carnaval” - aquele que não dura até o verão seguinte. “Os sambas-enredo não são feitos para se tornar uma obra-prima, embora alguns se tornem e fiquem na memória”, diz. “Em geral, são músicas que ficam apenas no carnaval.”

Carnaval 2016 pelo Brasil
Max Haack/ Divulgação
Daniela Mercury

Show de Daniela Mercury começou por volta das 15h no Circuito Osmar, nesta terça-feira de Carnaval

Júri. Doutorando no assunto samba-enredo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), o músico Yuri Prado Brandão de Souza lembra que, para o sambista de carnaval, ousar pode ser arriscado - já que a escola é avaliada pelo júri. “O samba-enredo chegou a um estágio de sedimentação em que os compositores sabem bem o que funciona e o que não funciona”, avalia. “Claro que há todo um aspecto da tradição, do resquício da memória oral.”

Yuri também percebeu uma diferença entre os sambas mais antigos e os atuais: a necessidade de mencionar o nome da agremiação. “Essa autorreferência não era comum até certo tempo atrás. Agora, se tornou quase obrigatória”, diz. “O carnavalesco bate no peito, exalta o seu orgulho de ser quem é.”

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