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Laudos confirmam que menina de 4 anos foi morta pelo pai

Informação foi divulgada pelo secretário de Segurança; Sophia foi encontrada com um saco na cabeça em apartamento no Jabaquara

Felipe Resk e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2015 | 12h08

Atualizada às 22h10

SÃO PAULO - A Polícia Civil concluiu que a menina Sophia, de 4 anos, foi assassinada pelo pai, o auxiliar administrativo Ricardo Najjar, de 23 anos. Ela foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça no dia 2, no apartamento do pai, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. No início, havia suspeita de a criança ter sufocado acidentalmente. Laudos do Instituto Médico-Legal (IML), porém, apontam que ela foi vítima de agressão, mas descartaram abusos sexuais.

Segundo os exames, Sophia morreu sufocada por esganadura, teve o tímpano esquerdo estourado, sofreu um edema cerebral e ficou com 21 hematomas espalhados pelo corpo. A principal suspeita é que ela tenha sido assassinada após contrariar o pai, que está preso e foi indiciado por homicídio qualificado.

De acordo com investigadores do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Najjar estaria apressado para encontrar a namorada em um restaurante e deu um tapa na orelha de Sophia após ser “aborrecido” pela criança. Ele teria continuado com as agressões e, ao perceber que a menina havia morrido, usou um saco para simular um acidente.

Em depoimento, Najjar afirmou que encontrou a menina caída depois de sair do banho. Ele teria posto a criança sobre a cama e só então tentado tirar o saco que a sufocava. Ao perceber que havia sangramento no rosto de Sophia, ele teria ligado para pedir socorro.

Os policiais, no entanto, contestam a versão do suspeito. Segundo dados do telefone de Najjar, ele teria ligado primeiro para o pai, depois para a namorada e só depois para o Samu. Segundo Elisabeth Sato, diretora do DHPP, o auxiliar administrativo não chorou nem esboçou nenhum tipo de reação durante os depoimentos. “Estamos convictos da autoria”, disse.

Provas. Outros indícios fizeram de Najjar o principal suspeito. Ao examinarem Sophia, além das marcas de hematomas, os policiais perceberam o lado esquerdo da cabeça molhado - o que sugeria que alguém teria lavado seu cabelo.

Segundo a delegada Ana Paula Rodrigues, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente do DHPP, exames também comprovam que ela não se sufocaria sozinha. “A medição da largura do saco e do perímetro da cabeça nos fez praticamente ter a certeza de que seria impossível”, disse. “Ela já tinha idade para tentar retirar o saco ou gritar por socorro.” A família da mãe de Sophia disse confiar na Justiça “dos homens e de Deus” e que está “mais aliviada” com a conclusão do caso.

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